ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 23/11/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Porém, o descaso com os desafios para a formação educacional de surdos torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela negligencia governamental, seja pelo preconceito da sociedade, o problema adquire proporções cada vez maiores e merece uma reflexão urgente.
Em primeiro plano, é evidente que o Estado tem papel determinante no cerne do entrave, uma vez que apesar de a Constituição cidadã de 1988 garantir educação inclusiva de qualidade aos deficientes, esse direito não é tirado do papel. Sob esse prisma, Aristóteles afirma que a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos. Nesse contexto, torna-se claro que tal concepção encontra-se corrompida no Brasil, visto que além de não proporcionar uma educação inclusiva, não há preparação do número suficiente de professores especializados no cuidado com surdos em todo o território nacional, perpetuando à problemática.
Outrossim, é importante salientar que o preconceito da sociedade ainda é um grande empecilho à existência dos deficientes auditivos nas escolas. Sob essa perspectiva, a discriminação contra deficientes possui raízes históricas, por exemplo, a criação do conceito de determinismo biológico, durante o século XIX, utilizado para legitimar o discurso preconceituoso de inferioridade de grupos minoritários, segundo o qual a função social do indivíduo é determinada por características biológicas. No entanto, segundo Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos.
Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Para tanto, é preciso que o Ministério da educação disponibilize formação especializada aos docentes da rede pública,objetivando deixá-los preparados para lidarem com tal realidade, promovendo assim, a inclusão dos alunos no meio escolar e social. Além disso, é necessário que os meios de comunicação divulguem à população, por meio de reportagens e documentários, o cotidiano dos deficientes auditivos, a fim de informar a sociedade e gerar empatia , pois como disse Aristóteles, o conhecimento gera plenitude.