ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 24/11/2020
O início da primeira escola para deficientes auditivos no Brasil, ocorreu em 1857, graças à iniciativa do Imperador Dom Pedro II. Apesar desse grande avanço no século XIX, ainda hoje, quase dois séculos depois, a formação educacional de surdos no Brasil representa um enorme desafio. Isso ocorre devido a falta de interesse por parte da população e carência de escolas especializadas e adaptadas para atender a essas necessidades.
Nas mídias televisivas e redes sociais, dificilmente há a veiculação de propagandas, novelas, filmes e programas com traduções para a Língua Brasileira de Sinais. Esse fator, associado ao desconhecimento da língua por não-surdos, impossibilita que deficientes auditivos tenham acesso à escola ou à um emprego, já que haveria falha no processo de comunicação entre os indivíduos, e a ação comunicativa se dá, segundo o filósofo Jurgen Habermas, quando há o entendimento da linguagem em ambos os lados.
Além disso, é importante compreender que o número de deficientes auditivos nas escolas tem diminuído. Neste contexto, de acordo com dados fornecidos por órgãos vinculados ao Ministério da Educação entre os anos de 2011 a 2016 o número de pessoas surdas matriculadas no ensino básico regular teve uma queda de aproximadamente 20%. Diante desse cenário, a escola, que tem como função integrar todos os cidadãos, não tem cumprido seu objetivo com essa minoria.
Em suma, cabe ao Estado, por meio de uma emenda constitucional colocar na grade do ensino – desde o maternal até o colegial – a Libras dentro da grade regular com aulas semanais e uma avaliação bimestral para verificar se o ensino foi efetivo. Assim, espera-se a formação de cidadãos, professores, funcionários e futuros trabalhadores que saibam dialogar com os surdos fazendo com que estes sintam-se parte da sociedade.