ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 24/11/2020

Na obra “A cidade do Sol”, do escritor renascentista Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade utópica, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o descaso com os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil, contraria a idealização formulada pelo filósofo. Nessa perspectiva, diante de uma realidade instável que mescla discussões sobre exclusão e preconceito, o entrave permanece afetando grande parcela da população e exige uma reflexão imediata.

A priori, evidencia-se que o acesso à educação pelos indivíduos surdos é assegurado pela Constituição de 1988 e pelo mais recente Estatuto da Pessoa com Deficiência. Entretanto, no Brasil, há uma diferença exorbitante entre o que é defendido por tais instrumentos jurídicos e a realidade excludente vivida por essa população. Sob essa ótica, tal público sofre diariamente com a escassez de materiais didáticos adaptados e com a insuficiente formação de profissionais, que, muitas vezes, são incapazes de oferecer uma educação em Libras. Logo, é substancial a mudança desse quadro.      Ademais, é fulcral pontuar que a má formação socioeducacional do brasileiro é um fator determinante para a permanência da precariedade da educação para deficientes auditivos no país, uma vez que os governantes respondem aos anseios sociais e grande parte da população não exige uma educação inclusiva por não necessitar dela. Nesse prisma, consoante ao pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão do indivíduo determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, ocorre porque a educação básica é deficitária e pouco prepara cidadãos no que tange aos respeitos às diferenças. Desse modo, é necessário a quebra dessa situação que prejudica a nação brasileira.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Assim, as instituições acadêmicas devem promover a formação de cidadãos que respeitem às diferenças e valorizem a inclusão, por intermédio de palestras, debates e trabalhos em grupo, que envolvam a família, a respeito desse tema, visando a ampliar o contato entre a comunidade escolar e as várias formas de deficiência. Além disso, cabe ao Poder Público garantir uma melhor capacitação dos professores e uma maior disponibilização de materiais adaptados, por meio da destinação de mais recursos ao Instituto Nacional de Educação de Surdos, sobre a existência do Estatuto da Pessoa com Deficiência. Somente assim, notar-se-á a sociedade ideal e perfeita especificada na utopia de Campanella.