ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 24/11/2020
Os empecilhos vivenciados pela comunidade surda no âmbito de ensino são velhos conhecidos da sociedade brasileira. Entretanto, os obstáculos à inclusão social e educacional desse grupo ainda persistem, por maiores que sejam os avanços obtidos, nos últimos anos, por meio de políticas de proteção a eles destinadas. As escolas especializadas e adaptadas para atender a essas necessidades são raras e a vida escolar muitas vezes se transforma em um verdadeiro sofrimento para os portadores dessa modalidade de deficiência.
No ano de 2002, a língua de sinais foi oficializada como segundo idioma nacional. Apesar das mudanças significativas ocorridas na legislação desde então, principalmente no tocante à acessibilidade, aos serviços de saúde e à inclusão social, a educação dos surdos foi muito pouco beneficiada. Isso porque o conceito de inclusão trata essencialmente da possibilidade de convívio num mesmo espaço, mas não prevê o compartilhamento efetivo de uma língua ou cultura em comum. A simples presença de surdos e ouvintes no mesmo ambiente não é suficiente, por si só, para promover a real integração dessa comunidade no meio de ensino. O contraste entre a realidade e o modelo idealizado pelas normas legais se torna ainda mais preocupante se considerarmos a evidente falta de estrutura para recepcionar os estudantes que apresentam tais limitações. Isso sem contar o despreparo de profissionais da educação e a ausência de uma comunicação eficiente em Libras, inclusive entre os alunos. Não por outro motivo, o modelo de classes mistas, por exemplo, tem se mostrado uma iniciativa falha, já que a atuação do professor como mero intérprete não é capaz de oferecer a atenção que o deficiente auditivo necessita. Como resultado, tem-se uma forma velada de rejeição, em que o aluno surdo, longe de sentir-se integrado ao contexto escolar, permanece segregado e impossibilitado de estabelecer conexões reais com o processo de aprendizado e com os demais estudantes, produzindo uma espécie de “inclusão excludente”.
Sendo assim, é imprescindível que seja dada maior ênfase ao acesso à educação básica verdadeiramente inclusiva. Nesse sentido, o investimento no preparo institucional, com a expansão do número de escolas bilíngues e a formação ampla de docentes intérpretes, também na rede regular de ensino, favoreceria o desempenho intelectual e social dos deficientes auditivos. Adicionalmente, a introdução das Libras como disciplina obrigatória na grade curricular é um fator que certamente contribuiria para aumentar o interesse dos estudantes na língua de sinais. Essas medidas criariam um ambiente mais inclusivo, com consequente redução dos índices de evasão escolar por parte dos deficientes auditivos.