ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 26/11/2020

O obstáculo que a comunidade surda encontra no campo da educação são velhos conhecidos na sociedade brasileira. No entanto, apesar dos enormes avanços alcançados nos últimos anos por meio das políticas de proteção a eles dirigidas, isso ainda constitui um entrave à inclusão social e educacional do grupo. Escolas especializadas que podem atender a essas necessidades são raras, e a vida escolar geralmente causa sofrimento às pessoas com essas deficiências.

Em 2002, a linguagem de sinais foi oficialmente designada como a segunda língua nacional. Embora mudanças significativas tenham ocorrido na legislação desde então, principalmente em termos de acessibilidade, serviços de saúde e inclusão social, a educação para surdos pouco se beneficiou. Isso porque o conceito de inclusão aborda essencialmente a possibilidade de vivermos juntos no mesmo espaço, mas não pode compartilhar efetivamente uma língua ou cultura comum.

Em um mesmo ambiente, a existência de surdos-mudos e deficientes auditivos por si só não é suficiente para promover a verdadeira integração da comunidade no ambiente de ensino. Se pensarmos que há uma clara falta de estrutura para acolher alunos com tais restrições, então o contraste entre a realidade e o modelo idealizado de normas jurídicas é ainda mais preocupante. Isso sem falar na falta de preparo dos profissionais da educação e na falta de comunicação efetiva entre Libras, inclusive os alunos.

Por outras razões, por exemplo, o modelo de sala de aula híbrida tem se mostrado uma iniciativa fracassada, porque o papel do professor como mero intérprete não pode fornecer a atenção exigida pelos deficientes auditivos. Com isso, tem-se uma forma de recusa de encobrimento, em que o aluno surdo-mudo não se sente integrado ao ambiente escolar, mas permanece isolado, incapaz de estabelecer uma conexão real com o processo de aprendizagem e com os demais alunos, resultando em uma “inclusão exclusiva”.

Portanto, é vital que mais atenção seja dada à obtenção de uma educação básica verdadeiramente inclusiva. Nesse sentido, com o aumento do número de escolas bilíngues na rede regular e a ampla formação de intérpretes, o investimento na preparação institucional beneficiará o desempenho intelectual e social dos deficientes auditivos. Além disso, a introdução de Libra como disciplina obrigatória no currículo, sem dúvida, aumentará o interesse dos alunos pela língua de sinais. Essas medidas criarão um ambiente mais inclusivo, reduzindo assim a taxa de evasão de pessoas com deficiência auditiva.