ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 30/11/2020
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra colina acima eternamente. Todos os dias, Sísifo chegava ao topo da rocha, contudo era vencido pela exaustão, então a pedra retornava à base. Hoje, esse mito se assemelha à luta diária dos deficientes auditivos brasileiros, que buscam superar as barreiras que os separam do direito à educação. Nesse contexto, não há dúvida de que a formação educacional de surdos é um desafio no Brasil, o que ocorre, infelizmente, não apenas por negligência governamental, mas também por preconceito da sociedade.
A Constituição Cidadã de 1988 garante educação inclusiva de qualidade para pessoas com deficiência, porém o Poder Executivo não efetiva esse direito. Segundo Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se constata que esse conceito é distorcido no Brasil à medida que a oferta não apenas da educação inclusiva, como também da preparação do número suficiente de professores especializados no atendimento de surdos não está presente em todo o território nacional, fazendo com que os direitos fiquem apenas no papel.
Além disso, o preconceito social ainda é o principal obstáculo à permanência do deficiente auditivo nas escolas. Infelizmente, a existência de discriminação contra surdos reflete o valor dos padrões estabelecidos pela consciência coletiva. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Portanto, mudar os valores sociais é essencial para superar as barreiras à formação educacional de surdos.
Portanto, sem dúvida, medidas são necessárias para solucionar esse problema. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto a ser desenvolvido nas escolas que promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas sobre o cotidiano e os direitos dos surdos, visto que as ações culturais coletivas têm imenso poder transformador, para que a comunidade escolar e a sociedade em geral, por conseguinte, tomem consciência. Dessa forma, a realidade se distanciará do mito grego e os Sísifos brasileiros superarão o desafio de Zeus.