ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 05/12/2020

Na animação japonesa “Naruto”, o sistema de ensino vigente patrocina uma metodologia onde o indivíduo é capacitado para se desenvolver e exercer suas atividades. Em dado momento da trama, o personagem “Rock Lee” enfrenta dificuldades no seu processo de aprendizagem, em virtude de suas debilidades fisiológicas e o despreparo da escola em auxiliar as suas necessidades. Infelizmente, fora do campo ficcional, o mesmo cenário acontece no Brasil, visto que pessoas com deficiência auditiva encontram problemas na sua educação, devido a precarização dos institutos de ensino, que culmina na marginalização educacional dessas pessoas. Com efeito, deve-se discutir os desafios para a formação educacional de surdos no contexto brasileiro.

Em princípio, é mister discutir o papel governamental mediante o tema supracitado. Dessa forma, conforme a lei de número 13.146, o Estado deve garantir às pessoas com deficiência uma educação inclusiva e de qualidade. Em contrapartida, infere-se que tais mecanismos não têm sido, de fato, assegurados, porquanto o sucateamento de escolas especializadas desfavorece sujeitos com debilidade auditiva, assim, promovendo a sua exclusão. Nesse sentido, o Ministério da Educação (MEC) aponta que, entre 2011 à 2016, houve a redução de cerca de 50% das matrículas em escolas com atendimento especial, em vista da carente estrutura para as práticas relativas ao ensino.       Consequentemente, tais déficits acarretam em danos para pessoas com surdez, pois lesionam os procedimentos educativos elementares para o cidadão. Nesse seguimento, o filósofo Jean Rousseau afirmou: “O homem é produto do meio em que vive, da sociedade e da educação”. Dessa maneira, para o teórico, a precariedade do ambiente em que o indivíduo está inserido provoca a sua exclusão, isto é, por causa das disparidades socioeducativas que o sujeito encontra na sua formação educacional.       Infere-se, portanto, que a precarização das instituições de ensino tem tornado inviável o processo de educação para os surdos. Para a mitigação dessa problemática, o MEC, com apoio do Ministério da Economia, deve patrocinar o aperfeiçoamento dos ambientes de aprendizagem especial, por meio de incentivos financeiros para reformas de escolas desestruturadas e compra de materiais especializados, visando consolidar um espaço educativo inclusivo, de qualidade e acessível. Como resultado, espera-se que pessoas com surdez possam estudar em locais preparados, que correspondem com suas demandas.