ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 10/12/2020

O filósofo Aristóteles defendia a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Segundo ele, sem a cultura e a sabedoria, nada separa o homem do restante dos animais. Nesse contexto, destaca-se a educação como ferramenta na construção de uma sociedade mais culta. No entanto, há diversos obstáculos que impedem a democratização do acesso a esse recurso, principalmente, relacionados à formação educacional dos surdos no Brasil. Ilustra-se isso no descaso governamental com o ensino inclusivo e na persistência de preconceitos no ambiente escolar.       A princípio, é imperativo destacar a negligência estatal como precursora do problema. Segundo o pensador inglês Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da sociedade, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Prova disso é o baixo investimento em educação inclusiva nas escolas públicas, ilustrado na carência de intérpretes nas salas de aulas brasileiras. Ademais, em virtude da falta de iniciativa pública em ofertar capacitações para professores, o ensino de pessoas com deficiência auditiva torna-se cada vez mais difícil, já que a oralidade é, hoje, o principal meio de transmissão de conteúdo. Logo, é possível verificar que o Estado falha em cumprir sua função social, além de negligenciar os direitos dessa parcela da população.

Outrossim, é importante pontuar que a matrícula de alunos surdos nas escolas não implica, necessariamente, em inclusão. Nessa perspectiva, observa-se que, muitas vezes, a comunidade acadêmica mostra-se contrária à presença desses estudantes, pois eles necessitam de um ensino mais direcionado, o qual, além de intérpretes, exige a adoção de práticas pedagógicas menos tradicionais. Em detrimento disso, a ideia aristotélica de pluralidade na desigualdade perde força, e o que se verifica são atitudes preconceituosas ou o descaso com a aprendizagem desses alunos. Assim, a escola, um cenário de suposta integração, dá espaço a atitudes discriminatórias, desperdiça a chance de evoluir como o diferente e prejudica a formação dos surdos.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para a superação desses desafios. Então, o Estado, responsável por garantir bem estar social, deve investir na contratação de intérpretes de libras, por meio da destinação de verbas específicas aos municípios, de modo que todas as escolas tenham profissionais capacitados para receber esses alunos. Tudo isso com o objetivo de assegurar a qualidade da formação educacional dos surdos no país. Além disso, ele pode oferecer capacitações destinadas aos professores, as quais treinem esses profissionais para incluir efetivamente os alunos e desfaçam preconceitos enraizados, mediante o conhecimento. Assim sendo, o Brasil estará mais próximo de alcançar a plenitude da essência humana, através da educação.