ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 23/12/2020
As políticas educacionais adotadas por Getúlio Vargas, a partir de 1930, embora foram de grande importância para o avanço da emancipação do ensino, como a criação de várias escolas e academias para formar professores, bem como a fundação do Ministério da Educação, ainda apresentam inúmeros obstáculos para o acesso de muitos brasileiros. Análogo a esse fato, os surdos são indivíduos que ainda enfrentam esses obstáculos, colocando em risco sua plena e saudável formação educacional. Portanto, é cabível discutir sobre como a precariedade das escolas e a indiferença do estado e da população se mostram como desafios a educação das pessoas sem audição no Brasil.
Mormente, as escolas brasileiras não possuem infraestrutura e profissionais para atender aos alunos com deficiência auditiva. Segundo uma pesquisa do Ministério da Educacção, somente 46,7% das instituições de ensino apresentam dependências adequadas para esse público, e por conseguinte, esses indivíduos estão sendo privados de seu direito a educação e aprendizado, previstos no artigo 27 da Constituição Federal, fato que põe em contradição a ideia de igualdade sob aqual a constitução foi forjada. Desse modo, enquanto a omissão do estado for a regra, os direitos continuarão sendo distribuídos como privilégios.
Ademais, a população e o governo se mostram negligentes quanto a situação desses alunos especiais, uma vez que não promovem uma busca pela mudança. No livro “A Velhice”, a filosófa Simone Beauvoir descreve como alguns indivíduos sofrem da invisibilidade social, que ocorre quando um cidadão é tratado com extrema indiferença pela sociedade, de forma análoga, os surdos são vítimas desse fenômeno social, que afetas sua vida em sociedade e sua formação educacional, prejudicando sua plena formação como cidadão. Consequentemente, essa mesma indiferença impede que o estado e população faça algo para mudar essa narrativa, por isso, é necessário que essa negligência seja abandonada, sob pena de prejuízos a democracia e educação brasileira.
Destarte, é necessário que medidas sejam tomadas para solucionar essa problemática. Logo, o Ministério da Educação deve investir na infraestrutura escolar e formação educacional dos professores, por meio de cursos especializados ao corpo discente, que os especializem na linguagem de libras, e investimentos em salas de aula, que forneça uma a infraestrutura adequada aos alunos deficientes, a fim de promover sua inclusão e verdadeira formação educacional nas salas de aula. Para que, somente assim, o direito a plena educação das pessoas deficientes seja promovido, e que o lema de igualdade da Consituição Federal seja ,de fato, honrado.