ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 05/01/2021
Desafios para a formção educacional de surdos no Brasil
Segundo o INEP, o número de surdos matriculados na educação básica está se reduzindo desde 2012. Isso mostra que a formação educacional dessas pessoas se tornou um desafio no Brasil. Nesse sentido, pode-se dizer que essa infeliz realidade mostra que muito se falta para o alcance ao direito à educação por todos os brasileiros, conforme previsto na constituição. Por isso, são necessárias medidas cujo objetivo seja ampliar a inclusão de deficientes auditivos nos diversos níveis educacionais.
Nesse contexto, é necessário considerar que a maioria das escolas não está preparada para receber alunos que apresentam surdez. Isso se deve à baixa quantidade de professores qualificados em ministrar aulas em Libras, o que desestimula famílias a matricularem filhos surdos nesses colégios ou, até mesmo, faz a instituição solicitar a matrícula em escolas especiais. Soma-se a esse problema a inexistência ou a lotação de colégios adaptados em algumas cidades. Dessa forma, o aprendizado de vários alunos surdos é prejudicado pela falta de qualificação docente e infraestrutura escolar, e isso é refletido pela queda da adesão apontada pelo INEP.
Outro aspecto que deve ser considerado é o abandono de surdos dos cursos superiores e de pós-graduação. Tal fato é causado pela desvalorização dessas pessoas no mercado de trabalho, pois, apesar dos currículos, a condição de surdez é enxergada negativamente por vários empregadores, os quais optam por não contratá-los. Esse preconceito pode ser originado pelo desconhecimento acerca da capacidade dos deficientes auditivos, por exemplo, a do compositor austríaco Beethoven, que compôs suas sinfonias mais famosas após desenvolver essa condição. Assim, a desvalorização dos surdos inibe a busca deles pelo aprofundamento escolar, devido à falsa crença de que são menos capazes.
Devem ser adotadas, portanto, ações que visem modificar esse cenário de exclusão. Primeiramente, cabe ao MEC ampliar e divulgar os cursos de capacitação em Libras para professores de redes públicas e privadas, além de construir novas escolas adaptadas nos municípios de alta demanda, facilitando o acesso de surdos à educação. Em segundo lugar, o MEC deve estimular a contratação de deficientes auditivos bem qualificados nas empresas, por meio de campanhas e de benefícios, para que esse grupo tenha incentivos de buscar cursos superiores e de pós-graduação. Dessa maneira, a discrepância no acesso ao estudo por surdos poderá ser minimizada.