ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Ulysses Guimarães, ao discursar sobre a Constituição, chamou-a de “cidadã” por causa da importância dada aos direitos da população. Sob essa perspectiva, preveem-se inclusão de pessoas com deficiência, bem como formação educacional, enquanto direitos cruciais para o bem-estar da população. No entanto, tal conjuntura fica restrita à lei, pois a falta de infraestrutura e o silenciamento midiático sustentam um grave problema social: os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Diante disso, é necessária a intervenção governamental acerca dessas problemáticas, a fim de efetivar o que está previsto na Carta Magna.

Em primeiro plano, é necessário atentar para a falta de infraestrutura presente na questão. Segundo pesquisa feita pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em 2020, apenas 20% das escolas brasileiras são classificadas como escolas bilíngues - contam com Libras como componente curricular - e, dessas, menos de 15% dispõem de intérpretes individuais para auxiliar deficientes auditivos matriculados. Desse modo, tem-se como consequência, no país, o baixo índice de formação educacional de surdos, desde o nível básico.

Além disso, os desafios para esta formação educacional encontra terra fértil no silenciamento midiático, já que novelas, filmes e séries dificilmente contam com deficientes auditivos em seus elencos. Essa omissão da mídia influencia diretamente na formação não apenas educacional, como também profissional e pessoal dos surdos, visto que estes não vêem-se representados nem inseridos na sociedade. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em consequência disso, há a falta de empatia das pessoas, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão da formação educacional de surdos no Brasil atua como um forte empecilho para a resolução desse problema.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, os Governos Estaduais devem cumprir o Decreto Federal outorgado em 2005, para garantir a inclusão de Libras como disciplina curricular. Ao assegurarem isso por meio de vistorias anuais nas instituições, a comunidade olhará e acolherá de forma mais humana a população surda, pois, como constatou Hannah Arendt: “A pluralidade é a lei da Terra”.