ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 12/01/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura a todos indivíduos direitos internacionais, como por exemplo: A integração social e educacional sem quaisquer discriminações, valorizando a diversidade. No entanto, a formação educacional de surdos sofre violências simbólicas, nas quais, muitas vezes, aumentam a fuga do ensino básico destas pessoas, como também encontra entraves no acesso à escolas bilíngues que atendem a necessidade de acessibilidade. Portanto, faz-se necessária uma análise dessa conjuntura, com intuito de mitigar tais práticas que corroboram essa lógica opressiva, que interfere na formação educacional dos surdos.
Em primeiro lugar, na parábola “O Pequeno Príncipe”, Saint-Exupéry afirma que o essencial é invisível aos olhos. Nesse sentido, o autor descreve que o preconceito e a descriminação julga pela superficialidade, perpetuando um olhar limitado da realidade, no qual a comunidade surda atravessa em seu dia a dia e no ambiente escolar. Sob esse prisma, de acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíudos. Sendo assim, evidencia-se que o conjunto de ideias cristalizadas e absorvidas pelo laço social torna-se demasiadamente negativo para integração educacional de pessoas com deficiencia auditiva nas escolas e, consequentemente, na sociedade.
Por conseguinte, vale ressaltar que no Brasil, o Artigo 6º da Constituição Federal garante a todo cidadão acesso a educação de qualidade. Contudo, muitas escolas acabam deixando de receber recursos importantes para o pleno desenvolvimento de uma educação inclusiva e universal. Com efeito, segundo o geógrafo Milton Santos, durante a expansão da urbanização brasileira, o Estado define quais lugares vão ser iluminados e opacos. Dessa forma, a negligência governamental tanto para criação de espaços inclusivo para surdos, como também na formação de profissionais de educação capacitados e articulados à tecnologia assistiva, produz a invisibilidade social dos surdos na sociedade.
Depreende-se, portanto, a necessidade de enfrentar essa situação. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação - Instituição do Estado responsável pela formação inteligivel do indivíduo- inserir, nas escolas, palestras e oficinas, articulada à tecnologia assistiva, para desenvolver a capacidade estética e expressiva de se colocar no lugar do outro de maneira lúdica, exprimindo a importância da inclusão social dos surdos nas salas de aula. Além disso, é preciso também que MEC priorize a formação de professores bilígues em Libras, para ampliar o livre acesso a educação básica no Brasil. Por fim, dessa maneira, será possível alcançar novas estruturas no imaginário coletivo capaz de fomentar mundanças significativas nessa lógica opressora e, ademais, valorizar a diversidade e os Direitos Humanos.