ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 22/04/2021
No romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o autor realista brasileiro Machado de Assis exprime, por meio da aversão de Brás Cubas, personagem principal da obra, a maneira como a sociedade trata os deficientes. Atualmente, ainda com o avanço no direito desses indivíduos, a situação de preconceito e exclusão permeia dentre as relações coletivas e se reflete na condição precária da educação oferecida aos surdos no país, a qual é responsável pelos óbices enfrentados na inserção social desse grupo, especialmente no ramo laborativo.
Convém, a princípio, ressaltar a má formação socioeduacional dos brasileiros como um fator determinante para a continuidade de tal precariedade na educação dos deficientes auditivos, uma vez que os governantes retribuem, em partes, aos anseios da sociedade e grande parte da população não exige uma educação inclusiva por não necessitar dela. Essa realidade, consoante ao pensamento de A. Schopenhauer, notável filósofo, de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam sua compreensão a respeito do mundo, ocorre porque a educação básica é falha e pouco prepara cidadãos no que tange aos respeito às diferenças. Tal fato é notado nos ínfimos investimentos governamentais em capacitação profissional e em melhor estrutura, medidas que tornariam o ambiente escolar mais inclusivo para os surdos.
Como efeito disso, os deficientes auditivos encontram inúmeras dificuldades nos âmbitos de suas vidas. Um exemplo desse fato é a dificuldade de inserção dos surdos no mercado de trabalho, devido à educação ofertada para eles e ao preconceito intrínseco à população. Essa conjuntura, de acordo com os ideais do contratrualista John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, decerto que o Estado não cumpre sua função de garantir a prática de direitos imprescindíveis para a manutenção da igualdade entre os membros da sociedade, o que expõe os surdos a uma condição de demasiado desrespeito.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que as escolas promovam a formação de cidadãos que valorizem a inclusão, por intermédio de debates, palestras e trabalhos em grupo, visando ampliar o contato entre a comunidade escolar e as pessoas deficientes. Além disso, é imprescindível que o Estado destine maiores investimentos à capacitação de profissionais da educação especializados no ensino inclusivo e às melhorias estruturais nas escolas, com o objetivo de oferecer aos surdos uma formação eficaz. Ademais, cabe também ao Estado incentivar a contratação de deficientes por empresas privadas, por meio de subsídios e Parcerias Público-Privadas, objetivando a ampliar a participação desse grupo social no mercado de trabalho. Dessa forma, será possível reverter um passado de preconceito e exclusão, narrado por Machado de Assis e ofertar condições de educação mais justas a esses cidadãos.