ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 24/04/2021

O filósofo grego Aristóteles, ao estudar sobre o funcionamento da política e das interações humanas, elaborou o conceito da “Isonomia”, que evidencia a necessidade de adaptação às mais variadas características individuais, tendo como finalidade promover uma coesão social, além de um rumo próspero de desenvolvimento. Apesar disso, nota-se na contemporaneidade, que a sociedade está caminhando para o processo antagônico ao descrito por Aristóteles, uma vez que os desafios para a formação educacional de surdos apresentam-se de maneira latente no corpo social brasileiro. Dessarte, essa realidade deve-se, essencialmente, à negligência estatal e à falta de ativismo social.

Sob primeira análise, é fundamental destacar a inércia estatal na persistência da problemática. Sobre isso, Zygmunt Bauman - célebre filósofo polonês - ilustrou o conceito de “Instituição Zumbi”, que expõe a exponencial degradação da função social exercida pelo Estado que, em tese, seria de prover condições favoráveis ​​ao progresso e harmonia social. Consoante a isso, note-se que o fenômeno exposto por Bauman mostra-se condizente com a realidade, tendo em vista o papel passivo do Ministério da Educação em estabelecer melhorias e adaptações nos âmbitos educacionais para que crie um ambiente favorável à formação educacional de surdos. Desse modo, verifica-se que a ineficiência estatal representa um dos porquês do problema.

Outrossim, a perpetuação dos desafios para a formação educacional de surdos evidencia a maldade humana. Nesse contexto, Hannah Arendt - expoente escritora do século XX - elaborou o conceito de Banalidade do Mal, o qual expõe que a maldade está enraizada no cotidiano da sociedade. Sobre isso, tal fato pode ser exemplificado na questão da discriminação vivenciada por portadores de deficiências físicas e mentais, que são excluídos do convívio social, o que prejudica a formação educacional e a plena vivência da cidadania desses grupos. Diante disso, enquanto a maldade humana se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos mais sérios problemas para a harmonia social: o baixo desenvolvimento educacional da população surda.

É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para valorizar a formação educacional de deficientes auditivos. Para tanto, o Ministério da Educação deve exigir que as escolas - responsáveis pela transformação social - contratam profissionais especializados em auxiliar a população surda no processo de aprendizagem, além de promover projetos pedagógicos, como aulas acerca da necessidade de romper o estigma associado às deficiências, capazes de estabelecer uma maior integração social dessa parte da população. Essa iniciativa teria a finalidade de promover uma conscientização social e de garantir que o Brasil seja uma nação mais saudável e igualitária.