ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 12/05/2021

“O ser humano é o que a educação faz dele”, já dizia o filósofo Immanuel Kant. Certamente, a educação é um fato muito importante na formação de um indivíduo e um direito fundamental que lhe assiste, mas que infelizmente nem sempre é cumprido. No cenário brasileiro, analisando a condição atual da população surda, por exemplo, nota-se que há diversos obstáculos para a formação educacional plena, incluindo o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e da modalidade escrita da Língua portuguesa, tornando-se necessária medidas por parte do Estado e da sociedade.

Em primeira análise, pode constatar que, a falta de políticas públicas, tanto inclusivas para surdos como exclusivas, a falta de recursos destinados a elas, sendo que, sem uma instituição acessível e de qualidade, uma criança surda se abstém de recursos para obter uma boa educação. Paralelo a isso, segundo dados do Ministério da Educação, no período entre 2012 e 2016, o número de matrículas de surdos na educação básica sofreu queda constante. Além disso, mesmo que se consiga alcançar o nível de escolaridade mínima, é também escassa a acessibilidade de Libras nos cursos universitários e nos próprios meios de transporte para chegar a estes, tornando claro o porquê do cenário presenciado na atualidade.

Concomitantemente, não se pode esquecer da participação da sociedade como um todo na problemática. A ignorância e a persistência frente às dificuldades vivenciadas pelos surdos provocam o preconceito e, como Albert Einstein afirma, “é mais fácil desintegrar um átomo ao preconceito”. Logo, agrava-se a falta de oportunidade a esses indivíduos, cuja competência é julgada erroneamente por sua deficiência auditiva. Ainda assim, poucos se perguntam o porquê de não saberem a língua de sinais,

sendo que é reconhecida como a segunda língua oficial do Brasil.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para atenuar o cenário atual. Primeiramente, cabe aos governos municipais e à Secretária de Educação - vinculada ao Ministério do Turismo - garantir que haja colégios públicos suficientes para a população surda em cada cidade, cujo objetivo é promover a execução dos direitos básicos. Além disso, para combater o preconceito vigente são necessárias campanhas de incentivo estatal nos meios televisivos e comunicativos para dar visibilidade à condição dessas pessoas, juntamente com a completa acessibilidade em Libras em todos os serviços de transporte, também pelos órgãos governamentais respectivos. Por último, a sociedade deve promover o respeito à diferença é à incidência e procurar aprender Libras, assim como o faz aprender inglês ou outros idiomas. Afinal, o surdo é um ser humano, e como bem dito por Kant, precisa da educação para construir sua própria identidade.