ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 15/05/2021

O livro “Minha luta”, de Adolf Hitler, defendia a Eugenia, isto é, o projeto de eliminar da sociedade pessoas que apresentassem alguma deficiência mental ou física, bem como aperfeiçoar uma geração perfeita de homens e mulheres. Apesar de tal barbárie não perpetuar, é fato que, no que tange à formação educacional de surdos no Brasil e seus desafios, ainda há pessoas que são discriminadas diariamente, sendo “eliminadas” da sociedade por serem insuficientes. Gradualmente, esse problema cresce devido não só a insuficiência estatal, mas também o silenciamento da sociedade.

A princípio, é lícito retomar o aspecto sobredito quanto à omissão estatal nesse caso. Segundo John Rawls, no livro “Uma teoria da justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores, promovendo uma igualdade de oportunidades e uma vida digna aos cidadãos. A partir disso, é notório que isso não ocorre no país, já que as constantes dificuldades encontradas pelos surdos em serem educados derivam, por exemplo, da inoperância governamental, que assegura que, de acordo com a Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo a eles, o pleno acesso à educação. Nesse viés, poucos são os indivíduos que desfrutam do direito ao aprendizado, o qual está previsto na Constituição e deve ser garantido a todos pelo Estado.

Paralelamente a isso, vale postular que a desatenção da população a esses casos é outra causa latente do problema. Esse desafio se dá, principalmente, em razão da falta de investimentos na área da educação que, atrelados à baixa atuação midiática no assunto, ajudam a criar uma sociedade silenciosa que não preza pela saúde dos deficientes e sua inclusão na educação. A par disso, a intensa indiferença social, além de invisibilizar essas pessoas, exemplifica a afirmação atribuída pela filósofa francesa Simone de Beauvoir, que pontua que o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles como se não existissem. Dessa forma, fica claro os malefícios provocados pelo descaso da comunidade a esse problema, e que a necessidade de manifestações é imprescindível para a entrada dos deficientes nas escolas do país e para a refutação da ideia proposta por Simone nesse caso.

Portanto, diante desses desafios, uma intervenção faz-se necessária. Assim, urge que o Ministério da Educação trabalhe na inclusão de projetos sociais, que entrarão em vigor por meio de ambientes escolares, envolvendo os jovens, deficientes ou não, em atividades educacionais, como brincadeiras lúdicas em espaços de lazer, contando com a participação de pais ou parentes, a fim de que eles aprendam, desde pequenos, a conviverem e respeitarem a diferença do próximo, garantindo sua inclusão no meio educacional. Por fim, as limitações envolvendo deficientes, como as presentes na obra de Hittler, findarão, dando espaço a uma sociedade com governo ético proposto por Rawls.