ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 23/08/2021
“A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades”, disse Paulo Freire. De fato a inclusão social, dos deficientes, só se tornará parte da realidade brasileira quando as pessoas aprenderem a valorizar e aceitar as diferenças. No Brasil, a formação educacional dos surdos tem enfrentado vários desafios devido à prevalência do preconceito e da dificuldade de se comunicar com outras pessoas, pelo ensino de Libras ser escasso na maioria dos estados da federação. Contribuindo, assim, para a continuidade da exclusão social dessa parte da população.
Apesar da Constituição de 1988 afirmar que todas as pessoas devem ter acesso à educação de qualidade, a maioria dos surdos e deficientes não têm seus direitos garantidos, principalmente, pela insuficiência legislativa e pelo preconceito. Visto que uma visão estereotipada, de incapacidade é atrelada à eles, desde muitos séculos atrás. No século V a.C., em Atenas, Pólis da Grécia Antiga, os deficientes não eram considerados cidadãos, juntamente com as mulheres, artesãos, idosos e escravizados, não tendo nenhum direito e, em alguns casos, sendo abandonados, pois eram mal vistos. Logo, o preconceito que ainda existe está relacionado com o pensamento conservador do mundo ocidental.
Embora as Libras tenham sido reconhecidas, em 2002, como uma maneira deles se comunicarem, o seu ensino para àqueles que não são deficientes é muito escasso e não é tão incentivado e difundido, como outras línguas. Além disso, aqueles que conseguem adquirir uma boa formação acadêmica têm dificuldades de se inserirem no mercado de trabalho. Por serem vistos como incapazes e dependentes de outras pessoas.
Portanto, para que haja a superação dos desafios em relação à formação educacional de surdos no Brasil, o Estado deveria implementar as Libras como uma matéria no ensino curricular e a mídia deveria divulgar os benefícios da inclusão dos surdos na sociedade, na construção de empatia e da aceitação em relação ao diferente. Para que, assim, o Brasil se torne um país mais inclusivo, em que se tenha o exercício dos direitos da cidadania, ampliando e promovendo a autonomia, a valorização e a participação dessa parte da população. Pois sem a educação inclusiva, a inclusão social se torna impossível.