ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 10/11/2021

Na carta magna de 1988, o direito à educação é assegurado a todos. Entretanto, no Brasil, as pessoas com deficiência auditiva sofrem com um sistema educacional exclusivo e que impossibilita o aprendizado em muitos casos — de forma contrária ao que consta na Constituição Federal. Essa problemática é estruturada, principalmente, na escassez de medidas inclusivas e no preconceito presente na sociedade.

Nesse aspecto, é preciso que o Estado aborde a situação educacional de surdos com mais seriedade. A esse respeito, segundo o sociólogo Habermas, a inclusão não é somente trazer para perto, mas crescer junto e aprender com o outro. Dessa forma, infere-se que a criação de uma escola exclusiva para deficientes auditivos — como ocorreu no período imperial — seria um fator perpetuante para a segregação dos mesmos no Brasil. Além disso, a escassez de professores capacitados para o ensino em Libras dificulta a atenuação do problema e gera mais exclusão. Assim, verifica-se mais uma vez que os princípios constitucionais são ceifados para essa minoria.

Outrossim, o preconceito contra deficientes auditivos envenena o imaginário coletivo. Nesse viés, a “atitude blasé”, teoria do sociólogo Georg Simmel, ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em situações que ele deveria dar atenção. Sob esse prisma, a concepção discriminatória que surdos são incapazes é disseminada (sem questionamentos) por parte da sociedade, além de empregadores, gerando, também, um cenário preocupante na busca por um trabalho. Consequentemente, é criado um grande muro entre não-deficientes e surdos, aumentando as dificuldades já enfrentadas por essa parte da população.

Dessarte, é imperativo que sejam tomadas medidas para a amenização do problema. Para isso, o Ministério da Educação deve criar um programa de ensino de Libras para os professores, que será aplicado no turno noturno para facilitar a adesão por parte dos educadores. Essa ação deverá ser efetuada por meio de verbas públicas, sendo incluída na lei de diretrizes orçamentárias, com o fito de tornar a sociedade mais coesa e igualitária. Somente assim, será possível cumprir os valores contidos na Carta Magna.