ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 30/07/2021

Na canção “Manifestação”, membros da classe artística nacional vinculam a conquista de direitos sociais - como a educação - à luta coletiva contra padrões de conduta ultrapassados ​​e, a longo prazo, desgastantes. Contudo, o contexto brasileiro ainda torna ao regresso de tais esforços quando se observa os desafios à formação educacional de surdos na atual sociedade, uma ameaça ao caráter inclusivo dessas prerrogativas, que almejam o bem-estar comum. Por isso, é imperativo compreender sua ocorrência como resultado da negligência estatal e midiática.

Destarte, convém ressaltar a ausência das autoridades na resolução do problema. Prova disso é a pífia distribuição de anúncios - seja no meio urbano, ou no virtual - que incentivem a denúncia do alto número de universidades que não oferecem especialização em libras aos recém-diplomados educadores. Tal conjuntura, segundo a filosofia do pensador Thomas Hobbes, configura uma quebra do “Contrato Social”, pois, ao tentar abolir o estado de natureza humano - caracterizado pela conjectura anômica -, o governo acaba perpetuando-o por não solidificar mecanismos conscientizadores acerca dessa transgressão. Assim, mesmo diante da modernização multiprofissional acarretada pela 3ª fase da globalização, a população ainda carece de medidas estatais que incentivem a criticidade quanto ao ocultamento dos requisitos ao ingresso de surdos nos âmbitos acadêmico e escolar.

Ademais, é prudente evidenciar a influência da precária abordagem, pelos veículos de informação, sobre a falta de suporte federal contra a evasão estudantil dessas minorias - consoante à recusa do aprofundamento em métodos bilíngues de aprendizagem pela comunidade pedagógica - à perpetuação desta no Brasil. Nesse sentido, o panorama vigente apresenta semelhanças preocupantes com as mídias predominantes no final do século XIX, responsáveis ​​por, após a abolição da escravatura, prestar cobertura superficial sobre a inexistência da assistência governamental aos recém-alforriados, o que precedeu a indiferença generalizada para com a causa negra. Fica explícito, então, que, a partir da subexploração dessa pauta tão marcante, os noticiários desumanizam sua abrangência aos moldes primitivistas de seus antecessores. Logo, tal incompetência ganha sustentação em sua omissão.

Portanto, os obstáculos ao ensino de pessoas com deficiência auditiva devem ser combatidos. Dessa forma, urge que o Ministério da Educação (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, palestras, em instituições educadoras nacionais, acerca da temática, com destaque ao Norte e ao Nordeste, detentores, segundo levantamento feito pelo IBGE em 2019, dos menores índices federais de escolaridade, a fim de relacionar sua reverberação à negligência midiática. Somente assim a consciência coletiva ramificará direitos sociais conforme “Manifestação”.