ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 03/08/2021

O romance filosófico “Utopia” - escrito por Thomas Morus - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é isenta de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade, uma vez que, no Brasil, há empecilhos para a formação educacional de surdos. Essa problemática decorre e persiste devido a dois principais fatores: a omissão estatal e o preconceito do próprio corpo social.

Nesse contexto, é primordial destacar que a carência de investimentos na iniciativa de ofertar Libras nas escolas deriva da ineficácia do Poder Público no que concerne à inclusão de deficientes auditivos. Sob a perspectiva do filósofo John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos. Entretanto, é notório o rompimento dessse pacto, visto que, devido à baixa atuação das autoridades,  as pessoas com deficiência dificilmente têm acesso à educação de qualidade. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução desse impasse.

Outrossim, a resistência imposta pela população em conviver com as diferenças apresenta-se como outro desafio. De acordo com o filósofo Schopenhauer, “Todo homem toma os limites do seu próprio campo de visão como os limites do mundo”. Tal conceito abordado é materializado no país, haja vista que, as pessoas com plenas habilidades funcionais de aprendizagem têm dificuldades em enxergar a necessidade de implementar técnicas inclusivas no sistema educacional. Logo, tudo isso corrobora a desestimulação dos deficientes auditivos, já que a visão discriminatória da sociedade contribui para a manutenção desse cenário.

Diante do exposto, é imprescindível a minimização dessa problemática. Para uma educação mais inclusiva, urge a mobilização do Estado, que, por meio da implementação de Libras, deve estimular os estudantes a aprenderem a língua, além de criar projetos educacionais que incentivem os jovens a respeitar as diferenças. Como efeito, a sociedade  se aproximará da “Utopia” proposta por Morus.