ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 11/08/2021
Segundo o filósofo Claude Lévi Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e relações pessoais. Partindo desse pressuposto, é lícito afirmar que existem diversos impasses que dificultam a inserção plena de pessoas surdas na sociedade, já que fatores como preconceito e estigmatização ainda permeiam a realidade dessas pessoas. Sendo assim, a existência dessas adversidades dificultam a formação educacional dos surdos e tornam essa realidade um desafio que deve ser superado.
Em primeiro plano, é imperativo ressaltar o conceito de fato social do sociólogo Émile Durkheim, que afirma que isso é uma forma padronizada de agir, pensar e sentir, refletindo diretamente na vida cotidiana e na manifestação de padrões na sociedade. Partindo desse pressuposto, a visibilidade mínima oferecida à pessoas surdas tem relação direta com o comportamento desigual e estereotipado dos indivíduos em relação a esse grupo de pessoas, que acabam ficando à margem da ascenção social, econômica e de oportunidades de emprego, uma vez que são vistas como incapacitadas. Logo, é substâncial a mudança desse cenário.
Outrossim, de acordo com o Inep, as taxas de matrículas de surdos na educação básica mostram índices decrescentes a cada ano, demonstrando - dessa maneira - como a negligência do poder público e das famílias é uma realidade presente atualmente. É possivel afirmar que existem diversos fatores permeadores dessa evasão escolar como a falta de assistência social às famílias que possuem integrantes surdos, a escassez de recusos assistivos e escolas inclusivas em regiões carentes e a violência moral que afasta os estudantes do âmbito escolar, uma vez que ele se torna nocivo. Assim, os desafios para a formação escolar dos deficientes auditivos diminuem as oportunidades sociais e educativas dessa minoria.
Destarte, é necessário a mudança dessa questão através de medidas públicas e sociais. É dever do espaço midiático atribuir mais lugares para pessoas surdas em novelas e propagandas, como uma forma de garantir mais visibilidade a esse grupo social e diminuir a visão estigmatizada da sociedade perante à deficiência auditiva. Ademais, é vital a ação do Ministério da Educação em destinar maiores recursos para a formação educacional do surdos, direcionando mais profissionais capacitados no ensino de Libras e Braille à escolas inclusivas e incentivar, atráves de postagens nas redes sociais, a importância do aprendizado da linguagem de sinais, com o fito de incluir - cada vez mais - os deficientes auditivos na sociedade. Só assim, a partir da dessas ações, espera-se promover uma melhora na qualidade educacional e social desse grupo.