ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 27/08/2021
Durante o Segundo Reinado, foram implementadas instituições acadêmicas com foco na educação da comunidade surda do Brasil da época. Apesar da expectativa de melhoria do cenário, atualmente, essa parcela ainda enfrenta muitos desafios ao longo de sua formação educacional. Dentre esses empecilhos, destacam-se a falta de preparo para acolhimento dos surdos e o preconceito da população.
Primeiramente, cabe a análise do papel que a inépcia social desempenha. Em 2002, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) foi efetivada como segunda língua oficial do país, representando um esforço de normalização do uso. Entretanto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra que a porcentagem de intérpretes de LIBRAS ainda é insuficiente para abarcar a quantidade de pessoas que dependem desse meio de comunicação. Logo, esse cenário prejudica a demanda desses cidadãos por uma carreira acadêmica ativa, visto que, ao chegar no âmbito escolar, esses indivíduos não recebem a receptividade adequada.
Outrossim, o comportamento da sociedade também interfere na resolução da problemática. A rejeição em relação a pessoas com deficiências não é recente: na antiguidade clássica, esses preceitos eram repassados com o auxílio dos mitos: Hera, rainha do Olimpo, jogou seu filho, Hefesto, de um penhasco, após a criança apresentar feições não desejadas. Hodiernamente, essas concepções ainda são refletidas no dia a dia e mesmo não sendo acompanhadas de reações análogas ao mito, ainda contribuem para a exclusão de deficientes. No caso dos surdos, tal adversidade inviabiliza o acesso a uma educação de qualidade, na medida em que, são vistos como inferiores aos demais por precisarem de maior adaptação, como a comunicação por LIBRAS supracitada.
Portanto, a partir do quadro apresentado, é preciso que o Ministério da Educação, órgão de capabilidade educativa, promova a imersão total da Língua Brasileira de Sinais, por meio de cursos obrigatórios destinados a docentes e administradores escolares, a fim de tornar o meio educacional apto para a recepção de alunos com dificuldades auditivas. Ademais, é dever do Estado, instituição de poder máximo, por intermédio de campanhas e anúncios publicitários transmitidos em mídias sociais populares, explicitar a importância da inclusão dessa parcela oprimida, visando contornar o panorama em que o país se encontra. Desse modo, é possível almejar o fim dos desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil.