ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 31/08/2021

A educação de surdos e a atual crise democrática

Segundo o pensador Octavio Ianni, as mesmas forças estatais que possuem a capacidade de integrar a sociedade reiteram a desigualdade social. Nesse sentido, o próprio Poder Público brasileiro que deveria garantir, universalmente, dignidade, mantém-se negligente frente às desiguais condições oferecidas a grupos sociais, com destaque aos surdos, configurando a eles desafios, sobretudo, no tocante à educação. Nesse ínterim, o preconceito designado a tal comunidade, assim como a falta de acessibilidade na maioria das instituições são circunstâncias que contribuem para a atual crise democrática.

Mormente, a discriminação para com os surdos é um empecilho tanto para sua inserção em instituições educacionais quanto para sua conquista de uma vida digna. De acordo com o pensador francês Pierre Bourdieu, a violação e o desrespeito aos Direitos Humanos está - sobretudo - na perpetuação de preconceitos que atentam contra a dignidade de um grupo social. Logo, tamanha intolerância e subestimação destinada aos indivíduos com deficiência auditiva infringe a Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pela ONU, haja visto que não permite a plena conquista de direitos e integridade a tal grupo.

Ademais, somada a tal violação destaca-se a ausência de profissionais intérpretes de libras nas escolas e a carência de atividades inclusivas aos surdos. Logo, ao contrário do ratificado no artigo 27 da Constituição Federal - que assegura um sistema educacional inclusivo para a pessoa com deficiência -, os surdos não encontram a necessária acessibilidade na maioria das escolas, recorrendo a instituições específicas e isoladas de outros grupos sociais. Nesse sentido, a democracia não faz-se efetiva, tendo em vista que, para tal, segundo o geógrafo Milton Santos, os direitos universais devem atingir a totalidade do corpo social.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual, mitigando a defesa de Ianni. Assim, visando a maior inclusão de pessoas com deficiência auditiva em mais escolas, urge que o Poder público aliado ao Ministério da Educação incentive o progressivo desenvolvimento de escolas bilíngues, por meio de funcionários intérpretes qualificados, assim como atividades e rodas de conversa, evitando o amadurecimento do preconceito dos alunos quando jovens.