ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 22/09/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado adequadamente na prática quando se observa a falta de acessibilidade à educação dos surdos, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social crucial. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse lastimável quadro.

Nesse cenário, é importante considerar o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa – ou seja, o diálogo – constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta de estímulo ao debate a respeito da educação dos surdos no Brasil hodierno, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona em uma população que desconhece a grandeza do problema, e assim, não leva em consideração o progresso de toda civilização, visto que não tem informações acerca da falta de acessibilidade dos surdos no setor educacional e profissional Destarte, discorrer criticamente a problemática é o primeiro passo para consolidação do progresso sociocultural habermaseano.

Ademais, vale ressaltar a ausência de compromisso do Estado com a educação dos surdos. De certo, a falta de incentivos na educação dos surdos, tal como diminuta qualificação de professores em libras realidade enfrentada no país, resultando nos diagnósticos tardios e na própria exclusão de uma parcela significativa da sociedade. Segundo o filósofo John Rawls, em sua obra “Uma teoria da justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores públicos, promovendo uma igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Sob essa óptica, torna-se evidente que o Brasil não é um exemplo do pensamento desse teórico, uma vez que a minoria das escolas possuem um sistema adequado para a recepção desses indivíduos, submetendo-os à periferia da cidadania.

Entende-se, portanto, a temática como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com sociólogos, com o objetivo de mostrar a miopia da sociedade quanto aos surdos, apresentar a visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, o MEC deverá pressionar o Governo Federal, para que esse disponibilize mais verbas para a qualificação dos professores em libras. Assim, uma teoria da justiça de John Rawls será devidamente aplicada.