ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 15/09/2021

No ano de 1948 foi divulgada em todo o mundo a Declaração dos Direitos Humanos, que assegurou o bem-estar e a educação como direitos fundamentais de toda a sociedade. Infelizmente, no Brasil, apesar dessa declaração ser vigente, grupos minoritários, como os deficientes auditivos, ainda encontram uma série de obstáculos para uma formação educacional de qualidade. Nesse contexto, entre os principais problemas estão o constante preconceito e a falta de capacitação dos educadores para saber lidar corretamente com pessoas surdas.

Em primeiro lugar, é importante destacar o fato das pessoas com deficiência auditiva muitas vezes sofrerem preconceitos ao longo da vida por serem consideradas diferentes da maioria. No filme “A Voz do Silêncio”, por exemplo, uma garota de dez anos se muda para uma escola nova e sofre bullying por parte dos colegas por usar um aparelho auditivo para conseguir se comunicar. Como resultado, a garota desenvolve um quadro crítico de depressão e não consegue mais estudar. Isso mostra as graves consequências do preconceito ao deficiente e como ele pode causar efeitos permanentes em suas vítimas.

Além disso, mesmo que o surdo consiga permanecer na escola ou na universidade, uma grande parte dos professores ainda não sabem o uso de Libras, que é a língua oficial dos surdos no Brasil, e não possuem a capacitação para o ensino eficaz desse grupo populacional. De acordo com uma pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), de 2012 até 2016 o número de alunos surdos em escolas tradicionais caiu em quase 30%, gerando um índice relativamente alto de evasão escolar, o que demonstra o reflexo da falta de qualificação profissional para o atendimento dessa minoria.

Portanto, é notável que é preciso minimizar os desafios passados pelos surdos dentro da sociedade brasileira. Para isso, é necessário que o Poder Executivo direcione parte dos gastos públicos para a capacitação dos profissionais da educação, por meio de palestras e cursos preparatórios de Libras, que deve se tornar uma língua obrigatória para a admissão desses profissionais em ambientes educacionais. Assim, é possível difundir a Libras ao longo do país, e consolidar o que foi proposto pela declaração de 1948.