ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 15/09/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo sexto, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não se reverbera com ênfase na prática quando se observa os desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater os desafios. O despreparo institucional para a educação dos surdos é evidente no pais, pois, ao ingressar nas escolas ou universidades, o estudante deficiente auditivo se depara com a ausência da inclusão da Lingua Brasileira de Sinais (libras) como disciplina curricular obrigatória na educação básica, com uma inaptidão docente e com a carência de intérpretes. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação.

Ademais, é fundamental apontar o preconceito enraizado como impulsionador das adversidades. Historicamente os surdos, como parte das minorias, sempre foram vistos como “sujeitos dignos de pena” pela sociedade, uma vez que são considerados “menos capacitados que os ouvintes”. Infelizmente, tais comentários continuam a circular na sociedade contemporânea, fazendo com que os deficientes auditivos sintam-se excluídos e ridicularizados. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio do investimento em educação, disponibilize nas escolas e universidades acessibilidade e a inclusão para os surdos a fim de democratizar a educação para todos. Assim, consolidará-se uma sociedade mais acolhedora e igualitária, onde o Estado desempenha seu contrato social, tal como afirma John Locke.