ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 18/09/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, é preciso se atentar aos desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil, tema de extrema relevância, porém pouco discutido. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática , é necessário analisar a falha estatal e o estigma associado a esse grupo.
Primordialmente, é importante salientar que a má atuação governamental age como forte agravante do problema. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, uma vez que , embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a ausência de políticas públicas satisfatórias voltadas para aplicação do artigo 6 da “Constituição Cidadã”, que garante o acesso à educação a todos ,inclusive aos surdos. Isso é possível de se observar pela falha estatal em transformar escolas regulares em inclusivas ao não garantir a adequação do ambiente para os deficientes. Isso ocorre tanto pela pouca capacitação dos funcionários ,quanto pela falta do estudo de libras no currículo letivo , o que inviabiliza a comunicação do grupo. Desse modo, nem mesmo princípio jurídico foi capaz de solucionar a questão.
Além disso, a formação educacional dos surdos é limitada devido ao estigma associado a eles. Para entender tal apontamento, é válido citar que a experiência escolar engloba também a esfera social ,ou seja, a inclusão. Nessa perspectiva, como afirmou o filósofo Byung Chul-Han, o mundo vive hoje a chamada “sociedade do desempenho”, em que a individualidade é extremada em detrimento do altruísmo. Assim, os jovens, incluídos nesse contexto narcisista, têm dificuldades em aceitar a pluralidade dos indivíduos à sua volta, muitas vezes considerando os deficientes auditivos “anormais” e os rotulando negativamente. Dessa forma o preconceito age como potencializador do problema.
Portanto, é imperativo a criação de medidas que ajam sobre a problemática. Nessa lógica, cabe a mídia-importante recurso modelador de opiniões-ajudar no combate ao estigma associado ao surdos, por meio de propagandas que estimulem o respeito e inclusão social desse grupo no ambiente escolar, a fim de quebrar o ciclo de preconceito vivenciado por muitos. Ademais, cabe ao governo federal o direcionamento de mais verbas às escolas, para que essas possam ser adequadamente capacitadas e adequadas a realidade de uma instituição inclusiva.Dessa maneira, a Constituição Brasileira poderá, finalmente, ser concretizada.