ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 28/09/2021
‘‘O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim’’. Esse tema positivista, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase política ‘‘Ordem e Progresso’’ exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que a desafiante formação de surdos - grave problema a ser enfrentado pela sociedade - resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado como também a falta de empatia - reflexo do individualismo - solidificam tal mazela.
A princípio, é interessante pontuar que a negligência Estatal é uma das causas do problema no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, a educação é um direito social. Nesse sentido, imagina-se que a formação do deficiente auditivo é garantida por tais direitos, já que é legalmente assegurado pelo documento jurídico mais importante do país, que no âmbito escolar haja infra-estrutura adequada para educar o deficiente auditivo. No entanto, infelizmente, o Estado não atua em defesa do ponto de vista previsto constitucionalmente, já que grande parte da sociedade ainda sofre com essa paridade, o que ocorre devido a falta de investimento governamental direcionada aos surdos nas instituições pedagógicas públicas e no ensino da Língua Brasileira de Sinais. Portanto, é inadmissível a ineficácia do governo em não defender as garantias básicas da população verde-amarela.
Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia, que acontece na inércia da massa com relação à problemática da falta de estrutura pedagógica para surdos. Na obra ‘‘Modernidade Liquida’’, Bauman defende que a pós modernidade é influenciada fortemente pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência que os surdos ficam cada vez mais excluídos da sociedade, já que em sua instituição secundária - a escola - não apresenta meios para a educação equivalente aos não-surdos. Assim, essa liquidez influi na questão da formação dos surdos, o que funciona como um forte empecilho para sua resolução.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Educação promova a formação específica em Libras para todos os professores da rede pública, bem como o investimento em suporte necessário para surdos nas escolas a fim de torná-la mais acessível e receptiva para os deficientes auditivos. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.