ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 11/10/2021

No Brasil, durante o período colonial, ocorria uma enorme exclusão acadêmica das pessoas com deficiência auditiva, uma vez que eram insentas do atual direito que têm no que diz respeito ao acesso à educação. Hodiernamente, contudo, observa-se que, como consequência de tal configuração histórica, ainda há muita dificuldade em se oferecer uma formação de qualidade a essa parcela populacional. Isso ocorre porque, principalmente, há um estigma acerca dela, perpetuado socialmente, e descaso por parte do Estado, que pouco promove ações efetivas para incluí-la na jornada intelectual dita “comum”.

Primeiramente, nota-se que os surdos sofrem muito preconceito em locais relacionados à escolarização, já que pouquíssimas instituições prezam, de fato, para inserí-los junto às turmas de alunos não deficientes. Fundamentando: há uma insuficiência linguística que os impede de serem recebidos, pois são poucos os profissionais e alunos que sabem se comunicar pela Língua Brasileira de Sinais (Libras), apesar de ser o segundo idioma oficial do país. Essa falta de esforços por parte de escolas e faculdades reforça uma errônea estigmatização social de que pessoas com capacidade de escutar têm maiores dotes intelectuais, em detrimento daqueles que não ouvem. Por conseguinte, existe uma segregação nesses locais e o preconceito na vida adulta é favorecido, em razão de as pessoas serem aquilo que a educação faz delas (ideal do filósofo Immanuel Kant).

Ademais, é possível perceber que as ações governamentais para reverter esse terrível cenário são falhas, à medida que são, também, poucas. Não obstante os progressos, como leis de cota e contratação de intérpretes na publicidade política, o Estado é ineficaz, dado que medidas como essas não são o suficiente para mudar, significativamente, a situação dos estudantes com necessidades de inclusão. A título de ilustração, quando um deficiente auditivo é aceito por meio de cota numa instituição de ensino superior, ele tem que se comunicar com muitas outras pessoas no processo da sua formação acadêmica (colegas de classe, professores…), entretanto, tal feito perpetua-se como difícil, haja vista a linguagem em Libras ainda é pouco acessível à população, em geral. Logo, torna-se evidente que o Estado carece de atitudes com o escopo de mitigar esse tipo de situação embaraçosa.

Diante disso, é amplamente viável implementar à Base Nacional Comum Curricular o ensino da linguagem de sinais, fazendo-a ser obrigatória nas escolas, desde o Ensino Fundamental, junto a atividades básicas como leitura e escrita da Língua Portuguesa. Essa ação deve ser realizada pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, o qual deve se comprometer em fiscalizá-la, através de vasta cobrança das instituições de ensino. Com efeito, reduzir-se-ão as dificuldades de ensino aos surdos, bem como o estigma a eles associado e o déficit do governo.