ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 11/10/2021
Conforme o Existencialismo, doutrina filosófica surgida na França, em meados do século XX, o homem é o fundamento de toda a essência humana. Logo, compete ao homem ser responsável pela escolha de suas ações no espaço no qual se insere. Porém, no Brasil, infelizmente, ainda, há desafios para se ampliar a formação educacional de surdos - o que evidencia carência de engajamento governamental para a manutenção do bem-estar social.
É inegável que as autoridades brasileiras já desenvolvem ações para que a nação viva dignamente no que se refere ao bem-estar do indivíduo surdo. Nessa perspectiva, menciona-se, por exemplo, a Lei n° 10436, cujo objetivo é reconhecer a Língua de Sinais como a 2° língua oficial do Brasil. Isso, de certa forma, demonstra que, mesmo a passos lentos, há intenção dos governantes em cumprir com os direitos inerentes ao homem, previstos pela própria Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Entretanto, medida como essa, por si, não é suficientemente capaz de atenuar os desafios advindos da formação educacional dos surdos, em solo brasileiro, pois observa-se um baixo número de surdos sendo matriculados nas escolas. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacional Anísio Teixeira, Inep, as matrículas de surdos nas escolas vêm caindo desde 2012. Isso decorre da falta de investimentos nos profissionais da educação, o que contribui para a má formação do indivíduo, e, consequentemente, oportuniza a evasão escolar. Tal realidade está intrinsecamente relacionada com o precário sistema educacional, ora ofertado ao maior contingente populacional do Brasil, inapto a formar para a conquista da plena cidadania. O fato é que, enquanto o Estado não moldar o sistema educacional básico em responsabilidade social e ética, não se conquistará verdadeiramente uma nação livre. Afinal, “Barreiras psicológicas, históricas ou socioeconômicas não são capazes de ofuscar a liberdade”, afirma o filósofo existencialista Jean- Paul Sartre.
Depreende-se, portanto, que há necessidade de maiores investimentos na Educação Básica, previstos pela Lei de Diretrizes e Bases, LDB, número 9394/96. Para isso, é prudente que o Estado, através do Ministério da Educação, não só contemple, desde a Educação Infantil, aulas de Formação Cidadã e inclusão social, mas também promova palestras, no contexto escolar, para toda comunidade, sobre danos sociais oriundos da desigualdade social, além de, em parceria com o governo, em espaços comunitários, intensifique a formação dos professores com a finalidade de ajudar com que tais profissionais saibam lidar com determinados indivíduos, e, por consequência, será mais fácil ampliar a formação educacional dos surdos no Brasil.