ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 20/10/2021
A Constituição Federal de 1988, destaca o dever do Estado e da sociedade em garantir a educação aos surdos. Entretanto, no Brasil, não há a efetivação, na prática, da formação educacional desse grupo, por conta de diversos desafios que dificultam sua realização. Entre os principais obstáculos está o preconceito por parte de boa parte da população e a falta de incentivos governamentais. Desse modo, é necessária a redução desse grave problema.
Primeiramente, é importante destacar que existe no país um grande preconceito contra os deficientes auditivos. Segundo o filósofo Emmanuel Lévinas, uma sociedade justa respeita a alteridade do outro, sendo a exclusão uma forma de violência. Sob essa visão, os portadores desse tipo de deficiência sofrem violência, visto que são vítimas de discriminação e, por conta disso, são excluídas do convívio e da interação social. Por conseguinte, alguns surdos deixam de frequentar os âmbitos educacionais para não sofrer com a austeridade e vêem no preconceito um impasse para não se formarem na educação.
Segundamente, vale ressaltar que há pouco incentivo estatal para que os surdos tenham uma educação qualificada, tal fato é perceptível pela ineficaz aplicação do que aconselha a Constituição Cidadã. De acordo com o Inep, houve menos de 10 mil matrículas de alunos surdos em escolas especiais no ano de 2016, evidenciando o baixo investimento governamental nessa área. Nessa ótica, o escritor Gilberto Demenstein em sua obra Cidadania de Papel, afirmou que os direitos dos cidadãos permanecem na teoria. Assim, assemelha-se a realidade brasileira por não haver a consolidação dos direitos dos deficientes auditivos na prática, dificultando com que eles tenham amplo acesso à educação.
Depreende-se, portanto, medidas que visam mitigar os obstáculos na formação educacional dessa minoria. Em primeira análise, o Ministério da Cidadania deve criar campanhas de conscientização sobre a competência que os surdos possuem - apesar de terem deficiência -, mediante a divulgação em redes sociais - uma vez que possuem muitos adeptos -, para que as pessoas parem de tratar com preconceito os surdos. Ademais, o Ministério da Educação deve ampliar os investimentos nos âmbitos educacioniais, como escolas especiais e universidades, por meio da contratação de profissionais especializados no sistema Libras - Língua Brasileira de Sinais -, a fim de que os surdos possam ter pleno acesso à educação e formação de qualidade. Logo, além de reduzir o impasse, respeitará o que preconiza a Magna Carta brasileira.