ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 21/10/2021
No livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, por Machado de Assis, a narrativa evidencia, por meio da repulsa da personagem de Brás Cubas para com uma deficiência física, a forma como brasileiros viam ditas condições. Hodiernamente, e fora da ficção, a luta pela inclusão dos cidadãos enfermos de deficiências auditivas encara atitudes não tão dissimilares do desgosto expresso por Cubas, logo, no Brasil contemporâneo, é evidente não apenas que a estrutura de educação não está equipada para acomodar indivíduos surdos, mas também que o Estado brasileiro falha em agir contra ditos defeitos estruturais.
Primeiramente, é fato que o sistema educacional moderno regente no Brasil não se encontra em posição de incluir deficientes auditivos de formas significativas, apresentando lacunas quanto ao uso de ferramentas já criadas e aprovadas com dito propósito em mente. Muito como na obra de Assis, cidadãos com necessidades especiais oriundas de surdez são encarados como inferiores em capacidade de aprendizado, algo evidenciado pela tese de doutorado da professora Sílvia Andreis na Universidade Federal do Paraná, que explica o preconceito presente em meios acadêmicos, bem como a falta de recursos em linguagem de libras.
Em conseguinte a esse despreparo estrutural, porém também sua causa em um ciclo vicioso, é a falta de atitude governamental para com a resolução do problema explorado. A responsabilidade estatal de fornecer oportunidades de educação e, por consequência, trabalho a todos os cidadãos de uma nação é um conceito que fora explorado à fundo pelo filósofo John Locke em suas obras sobre o “Contrato Social”, o qual atribui ao Estado o dever de fornecer melhores condições de estudo e emprego à cidadãos em geral, surdos inclusos. No entanto, apesar de seu dever social, bem como os diversos artigos constitucionais sobre o tópico em questão, o governo brasileiro tem falhado nessa busca por igualdade de ensino.
Portanto, tendo em mente tanto falha estrutural, quanto negligência estatal, é de urgente importância que cidadãos brasileiros, guiados por aqueles afetados pelo problema como a professora Andreis, se manifestem e imperem o Governo Federal quanto à implementação de ferramentas inclusivas universais por todas as instituições educacionais e acadêmicas, sejam elas públicas ou privadas, ferramentas essas como o uso e ensino de linguagem de libras por educadores e funcionários em geral, visando um futuro mais inclusivo para os surdos do país. A triste realidade apresentada por Machado de Assis perdurou por demasiado tempo, é hora de superá-la.