ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 08/11/2021

De acordo com Nelson Mandela, “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” Essa visão, embora correta, infelizmente não tem sido efetiva para pessoas com deficiência, tendo em vista que ainda há desafios para a formação de surdos no Brasil. Assim, tal problemática está relacionada não só ao exclusão desses indivíduos, mas também à inoperância governamental.

É importante ressaltar, primeiramente, que a discriminação colabora com esse problema, pois essa exclui e priva os cidadãos surdos de participarem socialmente do direito à educação. Sob essa óptica, isso se nota pela falta de escolas e professores capacitados, que falem a língua brasileira de sinais, para receber os alunos com tal deficiência nas aulas. A partir disso, é notável a semelhança dessa marginalização com o preconceito na cidade de Esparta, na antiga Grécia, onde os deficientes não eram aceitos e, por isso, eram excluídos daquela sociedade. Paralelamente, isso se concretiza nos dias atuais ao se observar a ausência de acessibilidde para os surdos nas instituições de ensino, como se esses indivíduos não fossem membros participantes do corpo social. Logo, é lamentável que falte suporte para acolher e atender às necessidades dos deficientes auditivos no meio educacional, haja vista que isso retira a dignidade desses.

Outrossim, vale salientar que a ausência de ações do governo para resolver essa questão acaba por contribuir com a perpetuação dela. Nesse viés, verifica-se que essa postura indiferente do poder público para com os deficientes auditivos os deixa desamparados e sem espaço nas escolas e universidades, pois eles ficam impossibilitados de assistir às aulas, por não haver um intérprete de LIBRAS. Com efeito, essa realidade mostra o descumprimento da Constituição Federal, a qual prevê como dever do Estado assegurar uma educação inclusiva e de qualidade para todos os cidadãos. Entretanto, tal situação mostra que isso não ocorre de modo efetivo. Em suma, é inaceitável a continuidade desse cenário, visto que ele fere a cidadania dos deficientes auditivos.

Urge, portanto, a necessidade de ações para a resolução desses impasses. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pela formação civil, implementar políticas públicas de acessibilidade nas instituições de ensino, por meio da inserção de profissionais capacitados para traduzir a língua brasileira de sinais, a fim de facilitar o aprendizado dos surdos e tornar esse processo igualitário. Desse modo, o Estado cumprirá o seu dever e fará com que a educação seja mais inclusiva, de forma que ela possa ser usada como uma arma transformadora, tal como Nelson Mandela propôs.