ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 08/11/2021

O filme “O Extraordinário” retrata o difícil cotidiano do jovem Auggie que, por possuir uma deficiência física, tem dificuldades em integrar-se no ambiente escolar, sofrendo bullying e sendo isolado pelos demais alunos. Fora da ficção, infelizmente, a realidade no Brasil não se difere, pois, como no caso dos surdos, não há a inclusão correta deles no ambiente estudantil, o que gera desafios na formação educacional desse grupo. Nesse sentido, por conta da omissão social para com a comunidade não ouvinte, esses são privados de seus direitos.

Nesse cenário, inicialmente, devido à negligência da sociedade com os surdos, esses não são incluídos corretamente nas atividades escolares, o que prejudica sua formação acadêmica. Segundo o escritor modernista Lima Barreto, “O Brasil não tem povo, tem público”. Sob essa perspectiva, devido à inércia social referente à acessibilidade e inclusão na educação dos surdos, esses são excluídos da interatividade e da compreensão plena do ensino, sendo oprimidos pela população omissa. Essa realidade nefasta reforça a importância da mobilização dos setores sociais no que tange à inserção e aproveitamento do ensino para os surdos, o que evita entraves na sua formação educacional.

Dessa forma, como consequência de tal negligência social, a comunidade surda é impedida de usufruir de seus direitos. De acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, em sua tese intitulada “Cidadãos de Papel”, a população possui garantias que lhes são feitas apenas teoricamente, visto que sua aplicação é falha. Analogamente, com a negligência dos setores sociais diante da inclusão dos surdos, esses são impedidos de terem acesso pleno ao seu direito à educação, como previsto pela Constituição Cidadã de 1988. Tal realidade caótica evidencia que a inércia social, como defende Barreto, prejudica diretamente o exercício da formação educacional dos surdos e, consequentemente, de seus direitos.

Portanto, medidas capazes de integrar e proporcionar o aproveitamento educacional efetivo dos surdos devem ser tomadas. Para tal, o Ministério da Educação - órgão responsável pela formação dos cidadãos - deverá promover palestras nas escolas públicas semanalmente para pais e alunos por meio de proposta de Lei entregue à Câmara dos Deputados. Desse modo, a fim de mobilizar os cidadãos ouvintes no engajamento dos surdos nas atividades educacionais, tal projeto encerrará com a negligência social, como proposto por Barreto, e garantirá que todos usufruam de seus direitos. Enfim, dessa forma, as dificuldades enfrentadas por Auggie se distanciarão da realidade.