ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 12/11/2021

A Constituição federal de 1988 garante a todos os cidadãos o direito à educação, bem como, a defesa de seus direitos individuais. Entretanto, observa-se que, na prática, tal conceito é deturpado. Isso se deve aos desafios para a formação educacional de pessoas surdas no Brasil. Nesse sentido, o despreparo das instituições de ensino, aliado a preconceitos socialmente estruturados, têm contribuído para a intensificação do problema.

Em primeira análise, é válido ressaltar o despreparo das instituições de ensino. Nessa perspectiva, Paulo Freire, autor de “A Pedagogia do Oprimido”, defende que o objetivo da escola é ensinar o aluno a “ler o mundo”, ou seja, compreender a realidade para poder transformá-la. Diante disso, é fato que as escolas não têm contribuído com a ideia defendida pelo pensador, à medida que não contemplam as necessidades de deficientes auditivos de maneira efetiva. Isso, porque, o reconhecimento da necessidade de políticas públicas voltadas para esse grupo ainda é recente e pouco discutido. Tal fato é corroborado pela retardaria inserção de pessoas surdas à educação brasileira, que somente foi concretizada durante o governo de Dom Pedro II. Fica evidente, portanto, que o despreparo das instituições de ensino tem contribuído para a manutenção de dificuldades relacionadas ao desenvolvimento de alunos surdos.

Ademais, é lícito postular a existência de preconceitos socialmente estruturados. Sob esse viés, o documentário “O país dos surdos” retrata as dificuldades inerentes aos deficientes auditivos, dando luz aos preconceitos vivenciados por eles. À luz disso, é perceptível que a obra documentada dialoga com a realidade brasileira, conforme se atesta a dificultosa inserção social de pessoas privadas de audição a sociedade, por causa da falta de informações e a persistência de ideias contrárias à esse grupo. Além disso, esse problema é intensificado pela omissão no ensino e ausência de mecanismos públicos para o atendimento dos direitos dessas pessoas, o que é retratado no documentário. Dessa maneira, evidencia-se que a displicência da sociedade contribui para a manutenção de estigmas relacionadas ao público com dificuldades auditivas.

Infere-se, desse modo, que o desenvolvimento educacional de pessoas surdas no Brasil precisa ser revisto. Para tanto, o Ministério da Educação deve desenvolver projetos de inclusão em atividades escolares, por meio da capacitação de profissionais na língua de sinais brasileira, a Libras, e, desse modo, fomentar a instituição de espaços escolares de integração à sociedade. Ademais, serão feitas campanhas, por meio das redes sociais, com o intuito de estimular o conhecimento e o respeito sobre esse grupo. Dessa forma, os princípios constitucionais serão respeitados.