ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 15/11/2021

De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, escrita por Stefan Zweig, em 1941, o Brasil é sinônimo de progresso, o que projeta uma visão promissora de um tempo de ouro. Entretanto, há uma significativa discrepância entre o que era esperado e o que foi entregue, tendo em vista o panorama da condição educacional voltada para os surdos — um problema que realça a segregação de tal parcela e impede a concretização da equidade. Assim, é possível afirmar que não só a negligência estatal relacionada à estrutura educativa, mas também o falso discurso legislativo para promover a inclusão fomentam os entraves contemporâneos do século XXI.

Inicialmente, é necessário dizer que há uma grande contrariedade no discurso em que o Estado afirma a necessidade de cortes nas verbas educacionais, como o que houve no governo Bolsonaro. Por exemplo, estima-se que 40 bilhões foram desviados da maior estatal do país, a Petrobrás, segundo a Polícia Federal, e que, “por causa das escolas”, a diminuição da verba é imprescindível.  A priori, é inadmissível essa supressão de investimento, pois é ele que que cria condições mínimas de inclusão, o que não difere da integração de deficientes auditivos.

Ademais, outro tópico importante tange à questão restrita à inclusão, a qual é posta, aparentemente, de forma simbólica no papel. Conforme as ações afirmativas de ingresso às faculdades, os surdos têm direito fornecido pelas instituições de graduação, e que, porém, não possuem as condições mínimas para se desenvolver, como profissionais que dominem a língua dos sinais. A partir desse aspecto, é irrefutável a presença aparente do belo discurso de trazer para perto, algo que não basta sem ações concretas.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, realizar a efetiva inclusão por intermédio não apenas da disponibilização de verba voltada para a condição de deficiência, mas também do contrato de profissionais que consigam intermediar os conteúdos de sala com os surdos. Espera-se, com tudo isso, uma maior participação social dos portadores de problemas auditivos e, por conseguinte, uma esperança para a realização da visão de Zweig.