ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 18/11/2021

Incluir é por em prática o exercício da alteridade, não anular as diferenças, mas reconhecê-las,  oferecendo a todos as mesmas oportunidades. Na prática, tal princípio não é contemplado no Brasil, uma vez que se observa o descaso na formação educacional oferecida à pessoas portadoras de deficiência por parte do Estado, em especial aos surdos.  Essa realidade é fruto de uma política de despreso coletivo pelas minorias, estimulada por um ideal apático intimamente associado ao meio sociocultural vigente.

Ha de se considerar, primeiramente, a falha estatal em governar a favor de todos, icluindo parcelas da população de baixa rerpresentatividade. Ainda que a educação seja o principal fator de emancipação social, capaz de oferecer a possibilidade de ascenção social, esta é cada vez menos oferecida a deficientes auditívos: dados do Inep, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, revela que houve, ao longo dos últimos anos,  um declínio substancial de matrículas de surdos no sistema de educação básica. Tal descaso tem orígem no baixo investimento Estatal em infraestrutura educacional adequada à inclusão desses estudantes no ensino público, o que trará consequências severas a sua inserção no mercado de trabalho.

Paralelo a isso, é necessário avaliar a natureza individualista amalgada aos costumes socioculturais. A desconsideração geral pelas minorias é reflexo de uma sociedade centralizada no eu e menos conectada aos dramas coletivos. O filósofo polonês Zygmunt Bauman alertou que o homem vivencia uma realidade líquida, em que as relações são mais frágeis e efêmeras, onde os laços são facilmente quebrados em nome do benefício próprio. Essa distopia, que permeia as definições morais vigentes, tem impacto na consideração do geral pelo restrito, refletindo no exercício irresponsável da cidadania, quando, por exemplo,  selecionam-se candidatos alheios as lutas das minorias, como surdos, por direitos fundamentais como à educação.

Faz-se, portanto, necessário superarar tais obstáculos a fim de construir uma sociedade inclusiva, coerente com o ideal de igualdade. Desse modo, urge que o Ministério da Economia atue liberando verbas para a construção de instituições públicas de caráter inclusivo e a contratação de profissionais capacitados, com materiais que contemplem a Língua Brasileira de Sinais, a fim de estabelecer um ensino compativel com os anseios dos deficientes auditivos. Além disso, cabe ao Ministério da Cultura promover campanhas de cunho afirmativo, veiculadas nas mídias modernas e tradicionais, reafirmando a posição desses indivíduos como cidadãos dignos de respeito e consideração. Dessa maneira, fomentar-se-á políticas públicas de apoio ao bem estar social não só dos surdos, mas de todos.