ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 03/01/2022

A animação japonesa “A Voz do Silêncio” retrata a história de uma criança que é deficiente auditiva e, por conta disso, é prejudicada em relação aos demais alunos não deficientes. Consoante ao filme, a realidade brasileira não se mostra muito distante, visto que ainda apresenta desafios para a formação educacional de surdos, o que representa um grave problema a ser enfrentado pelo corpo social, tendo a falta de infraestrutura como um grande causador e a marginalização desse grupo, como uma consequência desse impasse.

Inicialmente, vale destacar a falta de infraestrutura escolar projetada pensando nos alunos surdos, um fator que corrobora fortemente para a diminuição nas matrículas desse grupo nas escolas, que, segundo o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira), reduziu cerca de 5 mil, de 2011 a 2016. Apesar de constar no Artigo 6° da Constituição Federal de 1988 que, dentre outros, a educação é um direito social, está claro que a lei não vigora de fato, o que é inadmissível.

Além disso, a marginalização é uma das principais consequências desse problema, ao passo que deficientes auditivos têm seus direitos negados. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, cidadania é o direito de ter direitos. Sendo assim, quando negam a essa parcela da população um serviço social, sua cidadania é comprometida e são tratados como “cidadãos de papel”: termo criado pelo escritor Gilberto Dimenstein para identificar pessoas que não têm seus direitos na prática, como é o caso dos alunos desprovidos de audição.

Portanto, a fim de extinguir os desafios para a formação educacional de surdos na sociedade brasileira, o Governo deve, a partir do direcionamento de verbas para estados e municípios, criar um programa de integração de surdos nas escolas, possibilitando que estas possam adequar sua infraestrutura a esse grupo, capacitando os educadores para que possam atender essas pessoas. Espera-se, com isso, acabar com os desafios da formação educacional de surdos, aumentanto o ingresso deles nas escolas e que, assim, o Brasil não mais reflita a realidade apresentada no filme “A Voz do Silêncio”.