ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 15/06/2022

O livro “Extraordinário” retrata a história de Auggie, um menino que nasceu com uma doença que provoca deformações no rosto, e a sua dificuldade em se inserir no ambiente escolar. De forma análoga à realidade, observa-se que muitos surdos também enfrentam desafios associados à educação, tais como o despreparo das escolas para o ensino desses alunos e a exclusão desses indíviduos nesses ambientes. Diante disso, é fundamental a realização de medidas que promovam um ensino eficiente e um espaço livre de preconceitos.

Inicialmente, verifica-se que um dos impasses educacionais que os surdos lidam é com a falta de capacitação do corpo docente. Nesse sentido, o artigo 206 da Constituição Federal de 1988 estabelece que a educação deve ser pautada nos princípios de igualdade de permanência nas escolas. No entanto, pode-se notar que há uma dificuldade em viabilizar essa igualdade, visto que na maioria das classes comuns, não há professores com conhecimento em libras, e em várias classes especiais, exclusivas para os deficientes auditivos, muitos docentes não são bem qualificados para lecionar de forma didática para esse grupo social. Assim, esses fatores impedem que os surdos tenham acesso a um ensino eficaz.

Além disso, outro desafio constatado é a discriminação que muitos surdos sofrem no ambiente escolar. Diante dessa perspectiva, o sociólogo francês Pierre Bourdieu afirma que a violência não se dá, necessariamente, apenas por meio da coerção física, mas também por meio de símbolos, tais como o preconceito e a exclusão. À vista disso, percebe-se que muitos alunos, pela falta de contato, pelos pré-julgamentos e até mesmo pela falta de conhecimento sobre a linguagem de sinais, podem praticar a violência simbólica com os deficientes auditivos.

Portanto, com vistas a solução da problemática, o Ministério da Educação deve investir na capactação dos professores por meio da realização de cursos que ensinem libras e modelos didáticos de ensino para surdos, a fim de melhor a formação educacional desses indivíduos. Ademais, cabe a esse mesmo órgão realizar campanhas de conscientização nas escolas mediante palestras feitas por psicólogos e sociólogos que abordem a importância do respeito e da inclusão, com o objetivo de diminuir a exclusão dos deficientes auditivos.