ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 08/11/2022
O Estatuto da Pessoa com Deficiência, criado em 2015, assegura os direitos e liber-dades dos deficientes. No entanto, o direito à educação, por exemplo, permanece quase inacessível a esse grupo. Diante dessa perspectiva, a negligência estatal e os estigmas associados às pessoas com necessidades especiais caracterizam-se como desafios que impedem a solução da problemática.
Sob essa análise, é interessante salientar a necessidade de o Estado fomentar a in-clusão dos deficientes auditivos nas escolas brasileiras. De acordo com a teoria do espaço público de Hannah Arendt, ambientes ou instituições públicas precisam in-cluir, a todo o espectro social, para exercer sua total funcionalidade e genuinidade. Nessa lógica, o ambiente escolar deve receber aparato estatal a fim de fornecer a estrutura necessária para garantir acessibilidade e educação aos indivíduos porta-dores de deficiência auditiva, o que infelizmente, não ocorre.
Ademais, nota-se a estigmatização dos surdos, fundamentada em desinformação. Nesse contexto, o sociólogo Zygmund Bauman defende que o individualismo é um dos principais conflitos da sociedade moderna e, como uma de suas consequênci-as, há a busca por validar apenas seus próprios interesses. Desse modo, o indivi-dualismo propicia a ignorância quanto às diferenças, dificultando o acesso dos surdos à educação, uma vez que esse grupo não dispõe de apoio da massa popula-cional para reinvindicar seus direitos básicos.
Portanto, cabe ao Estado - responsável por garantir educação a todos os cidadãos- mediante o estabelecimento da estrutura correta para acolher deficientes auditivos no ambiente escolar e da instauração de programas educacionais que visem rom-per estigmas, promover acessibilidade e equidade no corpo escolar. Tais ações são propostas a fim de estabelecer condutas sociais mais humanizadas e propiciar a in-clusão de pessoas surdas nas escolas e universidades.