ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 03/11/2022

Na obra “O Cidadão de Papel”, o jornalista Gilberto Dimenstein critica a legislação do Brasil, que possui uma boa elaboração, porém carece de efetividade na prática. A crítica da obra se correlaciona com o contexto nacional, quanto à questão do acesso à educação por pessoas com deficiência auditiva, o que difere do Artigo 6 da Carta Magna Brasileira, o qual tem a educação como um dos direitos básicos do indivíduo. Logo, são necessárias medidas para solucionar o impasse, que é motivado pela inoperância estatal e pelo silenciamento midiático acerca do tema.

Em primeiro lugar, constata-se a banalização da sociedade como uma das causas da dificuldade ao acesso à educação por pessoas surdas. Nesse contexto, a filósofa Hannah Arendt utiliza a expressão “Banalidade do Mal” na qual diz respeito ao fato da sociedade ignorar as mazelas sociais de modo a torná-las banais. Nessa ótica, tal teoria é constatada no contexto brasileiro, uma vez que o poder público não investe na capacitação adequada para os profissionais da educação a fim de democratizar o ambiente escolar. Dessa forma, devido à normalização desse impasse, a problemática é agravada no meio social.

Ademais, a carência de discussões nos canais de comunicação acerca da falta de acessibilidade escolar dos surdos, é um dos motivadores do problema. Nesse sentido, segundo o sociólogo Karl Marx, em sua teoria do “Silenciamento dos Discursos”, alguns temas são desprezados na sociedade a fim de camuflar as falhas sociais. Sob essa perspectiva, no contexto contemporâneo, a visão do autor aplica-se quanto à falta de debates acerca da questão da dificuldade de acesso à educação pelos surdos, o que causa a manutenção da problemática no país.

Portanto, são necessárias ações para viabilizar o acesso à educação pelos deficientes auditivos e garantir ao menos um dos direitos previstos na Constituição Federal. Para tanto, o Estado, cuja função é manter a harmonia social, por meio do Ministério da Educação, deve viabilizar a formação adequada dos professores na linguagem utilizada pelos surdos(LIBRAS) e em métodos de ensino eficientes para essa parcela da população, com o objetivo de que todos os cidadãos possam usufruir de seus direitos. Assim, o Brasil destoará da obra de Dimenstein.