ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 09/11/2022

Jean Jack Rousseau, pensador contratualista, idealizou o Estado como o único capaz de garantir igualdade e liberdade. Nesse sentido, há no Brasil um desafio a ser superado pelo poder estatal no que tange a formação educacional dos surdos, grave problema social de inclusão que coloca em cheque o princípio da igualdade. Por isso, é necessário a discussão acerca do papel tanto do governo, quanto da sociedade na inclusão do surdo.

Primeiramente, é válido destacar a responsabilidade do Governo na formação educacional do surdo. Nesse âmbito, Rousseau defendeu o Estado, uma vez que na monarquia, os direitos não eram iguais para todos, sendo a nobreza a que usufruía de privilégios. Sob essa ótica, felizmente, no Brasil, o Estado promove a igualdade, uma vez que torna direito da pessoa com deficiência o acesso a educação inclusiva. Logo, é notável o papel desempenhando pelo Estado na promoção da inclusão do surdo, pois promove igualdade.

Ademais, é fundamental pontuar que, embora haja acesso a formação educacional, não há inclusão social do surdo, consequência da omissão social. Acerca disso, o sociólogo Georg Simmel, pontua e classifica como Atitude Blase - quando o indivíduo age indiferente em meio a situações as quais deveria dar a devida atenção - a omissão social. De fato, infelizmente, a sociedade brasileira tem sido omissa no que tange a inclusão social do surdo, principalmente nos ambientes escolares, uma vez que não é popular a língua de libras, o que torna as relações sócias do surdo restritas. Com isso, não pode haver inclusão social no âmbito das escolas e universidades, se a sociedade não buscar incluir no seu vocabulário a língua dos sinais, o que é inaceitável.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de caminhos que combatam a exclusão social do surdo. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação promover o ensino de libras aos brasileiros, por meio da obrigatoriedade, contratação de professores da língua dos sinais e a inserção da mesma na grade curricular. Feito isso, as futuras gerações poderão saber se comunicar e construir relações com os deficientes auditívos, o que reverberará na inclusão. Assim, haverá um País em que a igualdade é um princípio inalienável.