ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 11/11/2022

O Estatuto da Pessoa com Deficiência, criado em 2015, assegura direitos e liberda-des a todas as pessoas com necessidades especiais, tais como os surdos. No entan-to, o direito à educação, por exemplo, permanece quase inacessível a esse grupo. Diante dessa perspectiva, a negligência estatal e os estigmas associados aos indiví-duos com deficiência auditiva caracterizam-se como desafios que impedem a solu-ção da problemática.

Sob essa análise, é interessante salientar a necessidade de o Estado fomentar a inclusão dos surdos nas escolas brasileiras. De acordo com a teoria do espaço pú-blico de Hannah Arendt, ambientes ou instituições públicas precisam incluir todas as pessoas para que exerçam sua função genuína. Nessa lógica, o ambiente escolar deve receber aparato estatal a fim de fornecer a estrutura necessária para garantir acessibilidade e educação aos indivíduos portadores de deficiência auditiva, o que, infelizmente, não ocorre.

Ademais, nota-se a estigmatização dos surdos, fundamentada em preconceitos. Nesse contexto, o sociólogo Zygmund Bauman defende que o individualismo é um dos principais conflitos da sociedade moderna e, como uma de suas consequênci-as, há o desinteresse em compreender as diferenças. Desse modo, os estigmas a-tribuídos aos deficientes auditivos baseiam-se no pensamento individualista de validar apenas os próprios interesses, refletindo na disseminação de preconceitos.

Portanto, é necessária a intervenção do Estado - responsável por garantir educa-ção a todos os cidadãos - mediante o estabelecimento da estrutura correta para a-colher os deficientes auditivos no ambiente escolar e da instauração de programas educacionais que visem romper estigmas, promover acessibilidade e equidade no corpo escolar. Tais ações são propostas a fim de estabelecer condutas sociais mais humanizadas e propiciar a inclusão de pessoas surdas nas instituições de ensino.