ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 04/08/2023

Paulo Freire afirma que antes da leitura da palavra, alfabetização, há a leitura do mundo, interpretação da realidade. Nesse contexto da educação, é necessário notar o mundo do deficiente auditivo como reduzido, já que o meio social no qual ele está inserido, no Brasil, pouco compreende sua linguagem. Assim, faz-se necessário assinalar os desafios que a sociabilização apresenta na formação educacional do surdo.

Primeiro, apesar da língua brasileira de sinais estar formalmente reconhecida como oficial língua nacional, a BNCC não identifica o aprendizado dela como obrigatório para o ciclo básico de ensino. Isso promove o inevitável isolamento social do surdo que, com oportunidades reduzidas de formar amizades, não possui muito acesso à troca de experiências e pontos de vista tão essenciais ao desenvolvimento educacional - poder contrapor perspectivas, enriquecer suas opiniões com os nuances de diferentes pontos de partida, por meio do diálogo, torna-se um privilégio.

Segundo, de acordo com Pierre Bourdieu, existe uma espécie de violência que grupos sociais realizam de forma não física - a violência simbólica. Deste modo, este tipo de agressão psicológica, desde a infância, é naturalizado na formação de personalidade do sujeito deficiente, pois ele faz a “leitura de um mundo” que é impenetrável pelo seu e, então, faz a “leitura da palavra”, é educado, como excluído.

Portanto, urge ao Ministério da Educação a inserção de Libras na educação básica a fim de conferir a inclusão de surdos em meios não só educacionais, mas também sociais. Essa medida será visível na materialidade quando os cursos de lincenciatura em letras obrigarem todos os futuros professores a serem fluentes em língua de sinais. Desta maneira, a palavra lida do surdo terá mais significado em um mundo que o compreende mais.