ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 15/11/2017

Há um debate massificado nos meios de comunicação acerca das dificuldades para a formação educacional de surdos no Brasil. Entretanto, vale ressaltar que esse é um assunto complexo e que merece ser bem analisado, pois envolve não só a ineficiência das instituições de ensino, mas também o preconceito perante às desigualdades.

No primeiro plano, as escolas não cumprem seu papel inclusivo. Nesse contexto, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, expõe o conceito de “instituição zumbi”, que se refere à perda da função social dessas. A partir da metáfora utilizada por Bauman é possível perceber que as escolas brasileiras estão inseridas nesse conceito. Com isso, deficientes auditivos encontram barreiras para sua formação educacional, o que é paradoxal num Estado Democrático de Direito, como o Brasil.

Outrossim, o preconceito persiste na sociedade brasileira. O sociólogo Durkheim, em sua teoria do “fato social”, defende que os indivíduos tendem a adotar comportamentos do grupo social em que estão inseridos. De maneira análoga, crianças e jovens que convivem com o preconceito, tornam-se propensos a praticá-lo. Por conseguinte, alunos com deficiência auditiva são vítimas dessa ação discriminatória, o que corrobora para uma maior dificuldade de inserção no âmbito escolar.

Infere-se, portanto, que a formação educacional de surdos é um desafio no Brasil contemporâneo. Dessa maneira, a escola deve reformular seus métodos, para que alunos surdos assistam às aulas junto aos demais e, assim, possam sentir-se inseridos no âmbito escolar. Ademais, cabe à sociedade combater qualquer ação ligada ao preconceito, por meio do diálogo, para que desse modo criança e jovens surdos possam desenvolver suas habilidades na escola. Sendo assim, ao adotar tais medidas, alcançar-se-á uma educação verdadeiramente inclusiva.