ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 17/01/2018

Conhecido como Brasil Imperial, o período que antecedeu a independência do país pode ser considerado palco de grandes avanços sociais e econômicos. Sendo assim, dentre aqueles evoca-se a inclusão dos surdos na sociedade brasileira mediante a fundação do Instituto Nacional de Educação de Surdos, responsável por alavancar a formação educacional dos portadores de deficiência auditiva. No entanto, no limiar hodierno, a realidade acadêmica desse grupo minoritário caracteriza-se pela ineficiência da infraestrutura na educação básica e por entraves no estabelecimento da carreira profissional.

Sob tal ótica, a escola, como instituição social detentora de considerável influência social, deveria ser a campeã no que tange à inclusão de cidadãos que constituem a minoria do país. Porém, segundo dados do Ministério da Educação (MEC), os índices de alunos surdos matriculados em escolas comuns de nível básico apresentam declínio sucessivo desde 2012. Tais resultados sugerem a ausência de recursos tecnológicos e manuais que possibilitem uma formação educacional de qualidade para os alunos com deficiência auditiva. Destarte, lamentavelmente, a discrepância social no meio educacional entre os alunos comuns e alunos surdos é impulsionada.

Por conseguinte, a carreira profissional dos indivíduos surdos encontra-se permeada por entraves que originam-se na desinformação. Para exemplificar, no início do século XXI, a conhecida Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi oficializada como uma das línguas oficiais do país, a fim de facilitar a comunicação eficaz dos surdos, o que influenciaria o mercado de trabalho. Entretanto, é perceptível que a alienação, que fortalece a errônea ideologia de que deficientes são desprovidos de capacidade, acarreta na difícil estabilidade profissional dos surdos.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para solucionar a problemática da conjuntura apresentada. Assim, cabe ao Governo Federal redirecionar uma maior parte dos impostos arrecadados pela Receita Federal para os municípios, a fim de proporcionar ás escolas condições de investirem em recursos para a formação educacional de qualidade para os surdos e atenuar a discrepância social no meio acadêmico. Além disso, o Ministério da Educação, em conjunto com campanhas midiáticas, deve incentivar e promover o aprendizado da Libras, com o intuito de facilitar o ingresso dos surdos em carreiras profissionais e informar a sociedade, diminuindo o preconceito com essa classe minoritária. Dessa forma, o Brasil atual poderá ser reconhecido por importantes avanços sociais, assim como o Brasil Imperial.