ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 15/11/2017

Karl Marx, pensador alemão, acredita que os indivíduos devem ser analisados de acordo com o contexto de suas condições sociais, já que produzem suas existências em grupo. Nessa lógica, torna-se pontual compreender que a problemática da inclusão educacional dos surdos no Brasil é decorrente da má relação entre a sociedade e os institutos sociais. Isso significa que o ínfimo ensino para o professor na comunicação em libras e os irrisórios meios para empregar pessoas com deficiências auditivas, contribuem para suas exclusões.

Em primeira análise do problema, observa-se que, como defende Durkheim, a educação é o meio para se viver em sociedade, visto que se cria uma noção de coletividade. Essa questão é pertinente, uma vez que se nota uma baixa inclusão dos surdos no ensino do país, o que corrobora para segregação desses cidadãos, haja vista que o número de matriculados é muito inferior a de classes comuns. Desse modo, contribui para a não formação cidadã desse grupo, sendo esse fator estimulado pela pequena parcela de professores capacitados em linguagem de sinais. É indiscutível, então, que para haver uma educação mais inclusiva, tem que promover uma maior difusão do ensino de Libras.

Ademais, uma razão fundamental para a consolidação desse pensamento é o fato de que o artigo 5° da Constituição de 1988 afirma que todos são iguais perante a lei. Nesse caso, o equívoco eclode no erro de se acreditar que tal direito é obtido por todas as pessoas. Entretanto, é notório que o mercado trabalhista não promove o acesso para indivíduos com deficiências, havendo uma exclusão destes, visto que, além do preconceito da sociedade, não existe estrutura adequada, assim, acarreta uma demasiada evasão escolar desse grupo social, pois não possui perspectiva de futuro. Diante desse quadro, não se pode adiar o debate acerca da inclusão de surdos no mercado de trabalho, visto que, com isso, incentivará esses alunos a concluírem seus estudos e, compactuando com o que defende a Constituição, irá assegurar o direito de educação das pessoas com deficiência física.

Portanto, o posicionamento assumido nesta discussão demanda duas medidas. A princípio, o Ministério de Educação deve estabelecer como meta a implantação, na grade curricular dos professores, do ensino de libras, com a intenção de capacita-los para lecionar de forma bilíngue, a fim de proporcionar a inclusão de todos os estudantes, principalmente os com deficiência.  A outra ação precisa ser fomentada pela Junta Comercial, no sentido de tornar obrigatório a presença de um tradutor em estabelecimentos onde há pessoas surdas, para que facilite a comunicação entre as pessoas, evitando a segregação de uma parcela da sociedade. Com esses direcionamentos, os indivíduos, como a advoga Marx, irão coexistir com seus direitos de cidadãos efetivados.