ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 15/11/2017

A Constituição brasileira de 1988 – cidadã – assegura em suas páginas normas, leis e diretrizes que, teoricamente, deveriam tornar a nação verde-amarela uma potência social, sobretudo, na área educacional inclusiva. Contudo, a realidade hodierna demonstra que isso não ocorre na prática, uma vez que há desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Dessa forma, tal contexto é lamentável e é imperioso buscarmos intervenções para transformá-lo.

Nesse prisma, é oportuno nos debruçarmos sobre as origens dessa dissonância. Historicamente, na Idade Antiga, na sociedade espartana, as crianças, quando nasciam com alguma problemática, como a surdez, rapidamente eram mortas, pois ao crescerem seriam um peso para a sociedade. No entanto, apesar dessa visão execrável ter mudado na contemporaneidade brasileira, infelizmente, pouco foi realizado em prol da integração e acesso dos surdos à educação e ao trabalho. Encontra-se na redução das matrículas dos surdos na educação básica – 20% nas classes comuns e 50% nas classes especiais – um bom exemplo dessa realidade. Logo, é visível que um governo que prega o lema “Brasil: um país de todos”, deve aumentar os recursos para a educação inclusiva dos surdos e, posterior a isso, fomentar sua integração ao mercado de trabalho por meio de escolas técnicas e cotas nas empresas.

Outrossim, torna-se relevante observarmos que a formação educacional dos surdos também enfrenta desafios no âmbito sócio-familiar. Nesse sentido, a educação e a formação pessoal têm início ainda no meio familiar e como destaca Comte-Sponville, na obra “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes”, é um legado e tem elevada importância na construção do caráter, mas carece de informação e apoio por parte da família. Ademais, no meio social, lamentavelmente, essa comunidade enfrente dificuldades na comunicação, a qual pesa, e muito, nas atividades cotidianas. Portanto, é fundamental que o governo, por meio de mídias, em rede nacional, forneça aulas e palestras sobre Libras, de forma a incitar a população na comunicação com os surdos, assim como disponibilizar agentes de saúde e educação, com panfletos informativos no auxílio às famílias, de forma a torná-las aptas na formação inicial.

Infere-se que, mediante os desafios da formação educacional de surdos no Brasil, torna-se urgente a efetivação das medidas supracitadas. Além disso, cabe ao governo agregar Libras nos currículos escolar e, principalmente, na formação de educadores e profissionais, assim como, de forma inerente ao meio midiático, promover a tradução em Libras das programações em exposição. Procedendo-se assim, é possível transpor às páginas da Constituição e vê-las na prática.