ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Enviada em 15/11/2017

[Em busca da isonomia garantida por lei]

O direito fundamental de acesso à educação, garantido pela Constituição de 1988, é muitas vezes negado a indivíduos com deficiência auditiva. Apesar de um discurso de de educação inclusiva, muitos jovens são impedidos de seguir sua carreira acadêmica. Somado a esse fato, estão as falhas de estrutura e logística envolvidas na difusão da Língua Brasileira de Sinais.

Tal injustiça é determinada pelo que Pierre Bordiau chama de violência simbólica. Quando existe um grupo social dominante, no caso os indivíduos que não possuem necessidades especiais, os direitos da minoria são violados. Desse modo, é comum ver deficientes auditivos sendo jubilados em cursos superiores, somente pelo não compreendimento da linguagem em sua totalidade, seja ela algébrica ou mesmo proveniente da escrita em língua portuguesa.

Ademais, esses educandos enfrentam problemas estruturais, principalmente no que diz respeito à existência de uma equipe multiprofissional à disposição. É raro escolas da rede pública possuírem um tradutor da área em seu corpo docente. Além disso, o ensino de Libras não é muito difundido pelo país, nem mesmo procurado, já que o retorno financeiro não é atrativo. Em vista disso, o MEC deve implantar um maior número de centros de ensino para a língua em questão, além de fomentar a disponibilização dessa equipe multiprofissional desde o ensino básico ao superior.

Em relação às injustiças enfrentadas pelos deficientes auditivos quanto às habilidades em disciplinas do terceiro grau, é preciso que o Senado elabore uma espécie de lei de cotas destinadas à permanência desses indivíduos nas universidades. Assim, os educandos com necessidades especiais teriam um bônus nas disciplinas com baixo desempenho. Pois, como defende o admirável Immanuel Kant: “o homem é aquilo que a educação faz dele”.