ENEM 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
Enviada em 15/11/2017
No século XVIII, durante o Iluminismo, a enciclopédia foi criada e amplamente disseminada na sociedade, baseada na ideia de que a educação e o conhecimento deveriam ser direitos de todos. Entretanto, séculos mais tarde, o Brasil ainda encontra dificuldades para assegurar acesso educacional aos deficientes, entre eles os auditivos, sobretudo pela falta de infraestrutura nas escolas e pouco conhecimento de Libras por grande parte da população.
Em primeira análise, é importante ponderar que uma das razões da persistente falta de estrutura física nas escolas é por conta da escassez de inovações tecnológicas que permitiriam a participação e a autonomia dos alunos surdos dentro da sala de aula. Há alguns anos, uma universidade nordestina criou um programa computacional que lia textos da internet em voz alta para que o conhecimento chegasse aos cegos. Porém, iniciativas como essa ainda são mínimas, em razão da falta de estímulo à inovação na área e pouco investimento financeiro.
Outro ponto preponderante é observar que, mesmo Libras sendo a segunda língua oficial do país, ela ainda é pouco difundida na população. Hoje, a língua de sinais é ensinada nas universidades públicas, sendo obrigatória nos cursos de licenciatura, no entanto, esse conhecimento fica preso no ensino acadêmico superior, não ocorrendo nas escolas de educação básica. Consequentemente, a inclusão de crianças e jovens surdos nas escolas é dificultada pela falta de comunicação entre os alunos, ocorrendo possíveis discriminações contra alunos os alunos surdos.
Portanto, tendo em vista as dificuldades enfrentadas para que haja a efetiva integração de deficientes auditivos à escola e, posteriormente, ao mercado de trabalho, deve haver atitudes do Ministério da Educação e das escolas. As instituições educacionais, visando a ideia de Paulo Freire de que todos os alunos devem ser inseridos no processo educacional considerando suas particularidades, devem promover o aprendizado de Libras a todos os alunos no ensino básico, a fim de que se melhore a comunicação entre alunos surdos e não surdos. Ademais, o Ministério da Educação deve investir recursos financeiros e estimular inovações tecnológicas que permitam uma maior facilidade desses alunos de vivência e aprendizagem no ambiente escolar.